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Memória anônima

por Orlando Margarido — publicado 16/03/2011 10h24, última modificação 16/03/2011 10h24
Retrospectiva do cineasta brasileiro David Perlov, artífice da cinematografia israelense moderna, começa dia 18 de março na Cinemateca

A observação sempre esteve presente na vida do cineasta David Perlov (1930-2003), segundo esse neto de imigrantes judeus nascido no Rio de Janeiro atesta em suas memórias. Daí a fazer dela material de cinema foi necessário um contexto reticente ao seu trabalho e uma disposição “para começar do início”. De volta a Israel, depois de estudos em Paris, Perlov realizou nos anos 60 documentários a pedido do governo, mas nem sempre o agradou pelo realismo acentuado de títulos como Em Jerusalém, visão do cotidiano da cidade e seus mendigos. Sem verba das autoridades, ele compra uma câmera 16 milímetros em 1973 e rechaça o cinema profissional.  Sai em busca, diz, do anonimato e inaugura seus Diários, série de seis capítulos voltada aos fatos familiares e de impacto no seu país. O projeto é um dos mais instigantes da memorialística do cinema e será exibido integralmente em mostra dedicada ao diretor juntamente com nove filmes seus que colaboraram na fundação da cinematografia moderna israelense

Integra o ciclo Tia Chinesa e os Outros, seu primeiro filme, de 1957. Perlov realizou o curta-metragem baseado nos desenhos e textos cínicos de uma garota francesa, achados por ele no porão da casa onde morou em Paris. A apropriação revela muito do pequeno acontecimento e da casualidade pelo qual se moveria seu cinema mais tarde. O drama anônimo lhe interessa tanto quanto o histórico, e o documentário Biba (1977) é exemplar desse aspecto ao retratar o luto de uma mulher pelo marido vítima da guerra do Yom Kippur. Passa pelo Holocausto (Em Teu Sangue, Vive e Memórias do Julgamento de Adolf Eichmann), mas afirma seus interesses por um cinema pessoal nos Diários, já exibidos em 2007 na Mostra Internacional de São Paulo, cidade onde passou parte da infância e registra. A série pode ser contextualizada nos debates e na oficina que integram o evento e com o lançamento do catálogo dia 17 no Centro da Cultura Judaica.

DAVID PERLOV – EPIFANIAS DO COTIDIANO

Sala Cinemateca, São Paulo
De 18 a 30 de março

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