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Lição sobre a alma humana

por Redação Carta Capital — publicado 13/02/2013 16h01, última modificação 13/02/2013 16h01
O ator André Capuano garimpou a peça de Tolstoi e tornou o inicial monólogo interpretado por dois atores

Por Alvaro Machado

A SONATA A KREUTZER
Auditório Sesc Pinheiros, SP
Sextas e sábados, às 20h30
Até 23/2

Em meados da década de 1880, Liev Tolstoi escreveu A Sonata a Kreutzer. Inicialmente um conturbado monólogo teatral, o texto terminou publicado como novela em 1891. Antes, portanto, de Strindberg conceber seus principais dramas sobre a natureza das relações humanas. Muito antes de Freud publicar seus primeiros livros, prova de que os grandes romancistas russos anteciparam muito das compreensões da moderna psicologia. Com precisão científica, a narrativa revela as motivações de Pózdnichev. O título deriva de partitura que Beethoven dedicou ao violinista Kreutzer. Tolstoi, em meio a conflitos pessoais, colocou traços autobiográficos no personagem.

O ator André Capuano garimpou essa pedra preciosa para entregá-la à hábil lapidação do dramaturgo Cássio Pires. Na direção, Marcello Airoldi desnuda artifícios cênicos. Um duplo do personagem principal é encarnado por Ernani Sanchez. Com Tolstoi, o quarteto nos oferece enxuta lição sobre a alma humana.

 

Dois atores, um personagem. Ernani Sanches e André Capuano

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