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Cultura

Exposição

Legado literário

por Orlando Margarido — publicado 26/03/2011 10h28, última modificação 26/03/2011 14h33
Profissional preocupada com a disseminação da arte, Fayga Ostrower, polonesa radicada no Brasil, exerceu seu talento de professora tanto no MAM carioca quanto em centros comunitários. Por Orlando Margarido

FAYGA OSTROWER – ILUSTRADORA

De 27 de março a 15 de maio

Instituto Moreira Salles

Rio de Janeiro

Profissional preocupada com a disseminação da arte, Fayga Ostrower (1920-2001), polonesa radicada no Brasil, exerceu seu talento de professora tanto no Museu de Arte Moderna carioca quanto em centros comunitários. É compreensível, portanto, sua preferência por suportes e técnicas que ampliassem o conhecimento. Nada mais apropriado para isso que a gravura e o desenho pelo caráter multiplicador desses meios, dizia. Múltipla ela mesma na vocação, pois também era pintora, a artista merece agora um recorte que atesta sua preferência. O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro expõe cem ilustrações originais produzidas por ela entre 1940 e 1970 para jornais, revistas

e livros. O valor das peças não está apenas na disposição de Fayga em popularizar seu ofício de gravadora, mas na possibilidade de acompanhar sua trajetória pelas linguagens artísticas. Esse desenvolvimento é demarcado na mostra por três conjuntos. O primeiro, figurativo, traz a técnica do linóleo, cujo efeito nasce da cor preta no papel e foi utilizada numa edição, por exemplo, de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. A seção seguinte exprime a passagem para a abstração. Por fim, o contexto assume o abstracionismo com o recurso das cores em xilogravuras e serigrafias, essas adotadas para a obra de João Cabral de Melo Neto, O Rio.

Na opinião da artista Anna Bella Geiger, em texto para o catálogo de exposição póstuma de Fayga em 2006, a escolha de artistas pelas artes gráficas acontecia mais como resistência à pintura. “Por considerarem uma escolha mais verdadeira, essencial, inclusive mais despojada, em função do próprio suporte, o papel”, diz. No caso de Fayga, que veio com a família refugiada do nazismo, havia a influência do recente movimento expressionista europeu e a intenção de tornar a arte mais barata e acessível, portanto, coerente com seus princípios.