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Interação virtuosa

por Alfredo Bosi — publicado 05/01/2011 15h04, última modificação 11/01/2011 15h27
Responsabilidade e liberdade devem orientar o ministério, que há de manter isenção política diante das manifestações culturais
Interação virtuosa

Responsabilidade e liberdade devem orientar o ministério, que há de manter isenção política diante das manifestações culturais. Na imagem acima o crítico Alfredo Bosi, autor do artigo, que pede a Cultura conectada à Educação. Foto: Masao Goto Filho

Um ministério da Cultura em um governo democrático e progressista tem o dever de equilibrar duas tendências aparentemente opostas. A salutar isenção política em face da diversidade das manifestações culturais, que devem guardar independência na medida em que emergem da sociedade civil. E a capacidade de apoiar efetivamente a difusão dos bens materiais e espirituais na medida em que o Estado é responsável pela sua democratização no interior dessa mesma sociedade.

Uma interação virtuosa de liberdade e responsabilidade vem a ser, portanto, o ideal de um Ministério da Cultura que deverá integrar o governo de Dilma Rousseff.

Algumas propostas:

1. Ampliar o projeto dos pontos de cultura já instituídos pelo Ministério da Cultura na gestão de Gilberto Gil.

2. Reativar as Casas de Cultura.

3. Estabelecer conexões com o Ministério da Educação com o fim de utilizar os próprios federais de suas unidades escolares para atividades culturais realizadas nos fins de semana.

4. Subsidiar com o mínimo de burocracia atividades de bom nível, quer no campo da música erudita, quer no da música popular (La musique adoucit les moeurs).

5. Criar e manter bibliotecas itinerantes que emprestem ou doem livros didáticos às populações carentes das periferias urbanas e dos bolsões de pobreza.

6. Estabelecer conexões com o Ministério das Relações Exteriores para que se crie e se divulgue uma “cultura da paz e do diálogo”, ponto de honra da política exterior do governo Lula. Promover concursos nacionais que estimulem a produção de textos por estudantes que aprofundem essa linha.

7. Estabelecer relações estreitas com os órgãos ambientalistas federais, estaduais e municipais com o intuito de tornar consensual o projeto de desenvolvimento sustentável.

8. Estabelecer relações estreitas com o Ministério do Trabalho e os órgãos sindicais para que se crie uma cultura dos direitos sociais e trabalhistas ameaçados pela globalização neoliberal.

9. Manter firmemente uma atitude de respeito e equidistância em relação às confissões religiosas professadas pelo povo brasileiro.

10. Não desperdiçar dinheiro e equipamentos públicos em eventos espeta-culosos e supérfluos nem em propaganda estatal abusiva.