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Identidade morna

por Orlando Margarido — publicado 15/03/2011 16h26, última modificação 15/03/2011 16h26
Jogo de Poder, dirigido por Doug Liman e com Sean Penn e Naomi Watts no elenco, é um filme sobre a ética nas esferas familiar e institucional

Em maior medida, Jogo de Poder é um filme sobre a ética nas esferas familiar e institucional. Neste segundo caso, uma ocorrência verídica move a trama. Em 2003, a agente da CIA Valerie Plame teve a identidade revelada pela Casa Branca em represália às denúncias do marido dela, o embaixador Joseph Wilson. Num artigo, ele afirmava que o Níger, país africano onde esteve alocado, não teria condições de fornecer urânio ao Iraque para a fabricação de armas nucleares, conforme alegava o governo americano. Os desdobramentos da mentira de George W. Bush são conhecidos. Mas a bomba que moralmente explode na vida do casal, interpretado por Naomi Watts e Sean Penn, nem tanto. E nesse domínio se centra o diretor Doug Liman, reprimindo sua veia para a ação, a exemplo da franquia Bourne e Sr. & Sra. Smith.

Liman prefere esse enfoque para proteger a ele e a seu filme, conforme disse em entrevista no Festival de Cannes do ano passado. Negou ser uma obra política ou de tribunal, apenas a história de dois grandes personagens envolvidos numa polêmica. “Não sei se deveria passar uma opinião definitiva sobre o caso, mas sei que queria contá-lo”, disse.  O lance final dessa intenção se dá quando substitui a atriz pela verdadeira Valerie Plame em seu depoimento à Corte, num recurso documental de efeito, que o exime de comprometimento nas sutilezas de uma interpretação. Acomodado na revisão ficcional, o filme não discute a ética em questão e segue uma narrativa correta e de tensão psicológica natural ao fato, ancorada em dois bons atores. Mas é apenas cinema com frieza e a serviço de uma quente notícia de jornal.

JOGO DE PODER

Direção: Doug Liman

Com Naomi Watts e Sean Penn