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"Hoje eu quero voltar sozinho" é destaque em festival LGBT

por Deutsche Welle publicado 18/10/2014 07h20
O filme, candidato do Brasil a uma vaga no Oscar, é um dos três nacionais no maior e mais antigo festival "queer" da Alemanha
Divulgação
Hoje eu quero voltar sozinho

Cena de "Hoje eu quero voltar sozinho", o indicado do Brasil para disputar o Oscar de melhor filme estrangeiro

Com três produções, o Brasil marca presença no Lesbisch Schwule Filmtage de Hamburgo. A 25ª edição desse conceituado festival internacional de cinema com temática queer (homossexual, bissexual e transgêneros) inclui um total de cerca de 150 produções, e se realiza de 14 a 19 de outubro de 2014.

Ao lado dos longas-metragens Hoje eu quero voltar sozinho Tatuagem, o curta Cinco minutos também representa a recente produção brasileira. Ele foi o único filme da América Latina escolhido para o DVD comemorativo dos 25 anos do festival. Em celebração do jubileu, a organização selecionou 25 curtas-metragens que simbolizam cada ano do evento e a diversidade nas abordagens do tema.

Com expectativa de receber este ano um público de mais de 15 mil espectadores, o evento gay-lésbico apresenta números imponentes: ao longo de seus 25 anos, já exibiu mais de 15 mil filmes e é considerado o mais antigo e maior festival alemão de cinema LGBT.

Todos os títulos brasileiros participantes do festival de Hamburgo são colecionadores de prêmios importantes. Hoje eu quero voltar sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro, trata da paixão do adolescente cego Leo por um colega da escola. Sua primeira exibição pública foi na Alemanha, em fevereiro deste ano, na Berlinale. A estreia nacional teve de esperar até abril.

O longa foi escolhido como Melhor Filme do Teddy Award, o prêmio LGBT do festival internacional de cinema da capital alemã, além de conquistar o segundo lugar na escolha do público. Contemplado com prêmios em São Francisco, Los Angeles, Atenas, entre outros, Hoje eu quero voltar sozinho foi o selecionado, entre 18 longas, para representar o Brasil na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2015.

Por sua vez, Tatuagem, de Hilton Lacerda, discute a homossexualidade no período da ditadura, ao retratar o envolvimento de um jovem militar com o diretor de uma trupe teatral. A produção já ostenta prêmios como o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado e o Prêmio Fipresci de Melhor Longa Latino-Americano, do Festival de Cinema do Rio de Janeiro.

O terceiro representante brasileiro em Hamburgo deste ano, o curta-metragem Cinco minutos, já foi exibido no Lesbisch Schwule Filmtage em 2009. Apresentado em cerca de 40 festivais internacionais, ele arrebatou o Best Audience Award no WILDsound Film Festival de Toronto e foi finalista no concurso internacional Kodak Film School Competition.

Dirigido por Ricky Mastro, conta uma história de amor e despedida na terceira idade, quando Alice, interpretada por Nyrce Levin, se confronta com a morte da companheira de muitos anos, Adélia (Angela Barros).

"É muito raro o cinema retratar casais homossexuais na terceira idade, e ainda mais raro mostrar um casal de lésbicas nessa faixa etária", analisa Sebastian Meyer, um dos organizadores do Lesbisch Schwule Filmtage. "Como a ideia do DVD comemorativo é mostrar a diversidade das produções, nós achamos muito importante Cinco minutos fazer parte dele."

Para o papel, a atriz Nyrce Levin diz ter se guiado pela contenção de sentimentos que a maturidade traz. "Gosto da ideia de expor um longo caso de amor e relacionamento entre duas mulheres da forma sutil e cotidiana que a maturidade oferece. Guiei minha interpretação também no sentido da contenção da dor, sem drama aparente para o espectador, nesse roteiro sensível sobre o amor na maturidade, algo tão pouco explorado."

Sebastian Beyer trabalha há sete anos no Lesbisch Schwule Filmtage e também já atuou no Brasil em eventos do gênero como o Mix Brasil e o Festival Internacional do Rio. Ele observa que vem crescendo a produção de filmes sobre a homossexualidade – especialmente nos Estados Unidos, devido à tradição cinematográfica do país.

Entretanto, o objetivo do festival de Hamburgo é exibir filmes não só da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, onde a produção é grande, mas também das mais diversas partes do mundo. Da programação consta, por exemplo, o documentário Alex & Ali, coprodução Turquia-EUA que aborda a homossexualidade no Irã.

Também serão exibidos longas-metragens das Filipinas, Coreia do Sul, Equador e Argentina, entre numerosos outros países. "Muitos dos filmes do festival poderiam ser comprados em DVD e assistidos em casa. Mas no evento, as pessoas têm a chance de assisti-los em um conjunto, compará-los e discutir as opiniões com o público e diretores. Isso é muito rico", diz Beyer.

O festival também traz para os cineastas a possibilidade de trocarem experiências. Ricky Mastro expõe sua visão: "Quero que o cinema se torne um instrumento de visibilidade para a comunidade LGBT. É a minha história e das pessoas que eu conheço, então acho de extrema importância poder ver essas histórias na tela, sem aqueles antigos estereótipos."

Neste ano, o diretor e roteirista integrou o júri da Queer Palm em Cannes, e em 2013 ajudou a criar o Recifest, o Festival de Cinema da Diversidade Sexual do Recife. "Com mais e mais prêmios e festivais, aos poucos estamos caminhando e progredindo", avalia Mastro.

Confira abaixo os trailers:

  • Autoria Natália Manczyk

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