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Crônica

Hinos no futebol. Patriotismo exagerado ou falta do que fazer?

por Tão Gomes — publicado 12/02/2012 10h14, última modificação 12/02/2012 10h14
'Achei que era uma banalização deste ato cívico', disse o vereador que tenta limitar a execução dos hinos (sic) nos estádios
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Jogadores do Grêmio cantam o hino do Rio Grande do Sul antes da partida. Foto: Reprodução

Aleluia! Em Porto Alegre, foi aprovada a lei que limita a antiga obrigatoriedade de se tocar hinos antes dos jogos.

Os hinos, na capital gaúcha, só serão ouvidos agora em jogos internacionais ou partidas da seleção brasileira.

Os jogadores de futebol, os preparadores físicos, os treinadores e o distinto público, seja o que vai aos estádios, ou os que assistem futebol via tevê, agradecem.

Naqueles minutos em que somos obrigados a ouvir os hinos, os atletas, no campo, sentem esvair-se todo o trabalho de aquecimento muscular feito pouco antes nos vestiários.

Isso pode mudar o resultado de uma partida. Seja por alguma lesão grave, seja por um gol-relâmpago nos primeiros momentos do jogo.

A iniciativa de limitar a execução dos hinos foi do vereador Alceu Brasinha, do PTB, que explica: "Minha motivação surgiu quando estava nas arquibancadas e ninguém cantava ou prestava atenção no hino. Achei que era uma banalização deste ato cívico".

Bravo Brasinha! E o fato dessa nova determinação ter ocorrido em Porto Alegre dá a ela um significado especial.

Nunca assisti, ao vivo, uma partida no Beira-Rio ou no Olímpico. Mas, durante o Brasileirão, percebia-se pela tevê o mal-estar de jogadores e da Comissão Técnica na hora dos hinos.

Isso mesmo. Dos hinos.

No Rio Grande do Sul, por determinação de algum parlamentar que não tinha mais o que fazer, aprovou-se uma lei obrigando a execução de dois hinos antes de cada partida.

Depois do Hino Nacional o serviço de som dos estádios atacava o glorioso Hino do Rio Grande do Sul.

Só aí, quando o sentimento do gaúcho aflorava, percebia-se o público cantando a plenos pulmões, como se dizia antigamente.

Durante o Hino Nacional, não se registrava tanto fervor cívico.

Tenho fundadas esperanças que, vindo do Sul (no Paraná também era obrigatório o hino estadual) os ventos do bom-senso prevaleçam agora nos jogos do campeonato nacional.

Eliminem-se o Hino Nacional das partidas entre clubes brasileiros e ponto final.

Eu tinha certeza de que essa história de obrigar, por exemplo, o Hino Nacional em qualquer evento esportivo no Estado de São Paulo, uma ideia que iluminou o cérebro oco de algum deputado estadual, iria se espalhar como erva daninha assim que começassem os campeonatos chamados regionais.

Não deu outra. Algumas cidades obrigam a tocar, além do Hino Nacional, os hinos municipais.

Hinos municipais?!... É ridículo senão fosse cômico.

Acontece, por exemplo, em Jundiaí, em São Paulo, onde os atletas têm de ficar perfilados muitas vezes por até dez minutos.

Alguns em total mutismo. Outros, quando focalizados pelas câmeras de tevê, fingem balbuciar algo.

Já em Feira de Santana, que conta com três times na primeira divisão do Campeonato Baiano, toca-se apenas o hino municipal.

Sábio, o legislador de Feira de Santana.

Poupou o Hino Nacional de ser tocado muitas vezes para um público inexistente e balbuciado por 22 homens perfilados em função de um falso patriotismo imposto por lei.

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