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Cultura

José Geraldo Couto

Herói com caráter

por Redação Carta Capital — publicado 17/01/2012 14h16, última modificação 17/01/2012 14h21
Ao longo de meio século e mais de cem filmes, Henry Fonda (1905-1982) personificou nas telas os melhores valores da América: coragem, independência, apreço pela justiça
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Solidez moral

por José Geraldo Couto

Ao longo de meio século e mais de cem filmes, Henry Fonda (1905-1982) personificou nas telas os melhores valores da América: coragem, independência, apreço pela justiça. Ele próprio tinha consciência de que essa imagem se sobrepunha à enorme variedade de personagens que encarnou. “Não sou de fato Henry Fonda. Ninguém poderia ter tanta integridade”, dizia.

Nascido em Grande Island, Nebraska, Fonda começou a fazer teatro ainda na faculdade. Em 1928, ingressou no University Players, grupo que incluía Margaret Sullavan, primeira de suas cinco esposas, e o amigo
de toda a vida James Stewart.

Com sua beleza levemente rústica e seus límpidos olhos azuis, ele foi uma espécie de galã rural nos primeiros anos da carreira, mas logo seu leque dramático se ampliou. Com nariz postiço, protagonizou. A Mocidade de Lincoln (John Ford, 1939). No ano seguinte, também sob a batuta de Ford, obteve sua primeira indicação ao Oscar por As Vinhas da Ira. Só voltaria a ser indicado, desta vez para ganhar, 41 anos depois, por Num Lago Dourado, de Mark Rydell.

Liberal-democrata, afastou-se de Hollywood no período da “caça às bruxas”, dedicando-se ao teatro em Nova York. Seus dois filhos atores – Jane e Peter Fonda – herdaram sua postura crítica diante do sistema.

Protagonizou faroestes memoráveis de John Ford, Fritz Lang e Sergio Leone e viveu três vezes o papel de homem acusado falsamente de um crime: Vive-se Uma Só Vez (Fritz Lang), Deixai-nos Viver (John Brahm) e O Homem Errado (Alfred Hitchcock). Seu rosto sólido e decente é o retrato de uma América democrática que talvez só exista nas telas de cinema.

 

 

 

DVDs

 

As Vinhas da Ira (1940)

Drama social clássico de John Ford baseado no romance homônimo
de John Steinbeck. Na época da Grande Depressão, após cumprir pena por homicídio, Tom Joad (Fonda) descobre que as terras da família foram tomadas pelos bancos. Num caminhão escangalhado, os Joad migram para a Califórnia em busca de trabalho.

 

 

 

O Homem Errado (1956)

O músico de jazz Manny Balestrero (Fonda), católico e pai de família,
é confundido com outro homem e preso por um crime que não cometeu. O filme acompanha seu calvário para provar a inocência e a reviravolta causada na vida da família. O tema do falso culpado, caro a Hitchcock, também
perpassa a carreira do ator.

 

 

Doze Homens e Uma Sentença (1957)

Hispânico é acusado de matar o pai. Um júri de 12 homens reúne-se para definir a sentença e está prestes a condená-lo quando um dos jurados (Fonda) questiona as supostas provas. Em seu filme de estreia, Sidney Lumet mostra notável segurança narrativa, mantendo o drama entre quatro paredes.

 

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