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Guerra dos sexos

por Orlando Margarido — publicado 16/11/2012 07h57, última modificação 16/11/2012 07h57
Em “E agora, aonde vamos?”, a diretora Nadine Labaki mostra o ponto de vista feminino do conflito que arruína seu país

E Agora, Aonde Vamos?
Nadine Labaki

Pelo interior de um salão de beleza passava a vida de algumas mulheres do Líbano atual em Caramelo, numa Beirute que parecia renovada depois da guerra. Quatro anos depois do sucesso, a atriz e diretora libanesa Nadine Labaki retorna com o ponto de vista feminino para abordar diretamente o conflito que arruína seu país em E Agora, Aonde Vamos?, estreia da quinta 15. O cenário interno desta vez é o único bar onde os moradores de um pequeno vilarejo esquecido no tempo se reúnem. Não se trata de uma confraternização qualquer. Ali, cristãos e muçulmanos convivem afetuosamente, cada lado com seu templo e autoridade religiosa própria. Este é o cerne do impasse proposto pela diretora e que tem na interrogação do título a sentença final significativa.

A bela Nadine é mais uma vez a protagonista, a dona do bar em questão. Ela e um grupo de mulheres, cobertas com lenço ou não, serão as pacificadoras de um embate entre os homens de
ambas as religiões após um mal-entendido.

A exemplo do filme anterior, usam-se artifícios cômicos, como trazer um grupo de prostitutas ucranianas para distraí-los. Lembra o enredo do capitão Pantaleão e suas visitadoras no romance de Mario Vargas Llosa, ou, talvez, mais o clássico grego de Aristófanes, que em Lisístrata descreveu uma greve de sexo de mulheres, referência também de outro recente filme de língua árabe, A Fonte das Mulheres.

A cineasta nos dá a chance do humor, mas sua intenção é trágica quando põe em primeiro plano o drama da mãe que não quer perder mais um filho para a guerra e vai ao limite. Nesses momentos, o filme não permite o riso e dá seu recado.

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