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Guerra de gerações

por Orlando Margarido — publicado 15/11/2010 13h34, última modificação 15/11/2010 13h34
Estimulante coincidência faz encontrar no circuito de filmes Minha Terra, África e Um Homem Que Grita, este em cartaz a partir do dia 19

UM HOMEM QUE GRITA

Mahamat-Saleh Haroun

Estimulante coincidência faz encontrar no circuito de filmes Minha Terra, África e Um Homem Que Grita, este em cartaz a partir do dia 19. São complementares, com eventuais pontos de contato, o retrato de Claire Denis da mulher obcecada em manter sua propriedade e o drama também definido pela tragédia no caso do chadiano Mahamat-Saleh Haroun. Se o ponto de vista de Denis é o do branco num território africano aleatório e tomado pela guerra civil, o de Haroun representa a sua própria herança negra nos personagens também engolfados pelo conflito armado no Chade atual, painel que valeu ao diretor o prêmio do júri no mais recente Festival de Cannes.

Esse contexto impõe-se no filme de Haroun a partir da esfera particular. Um velho esportista (Youssouf Djaoro), estrela da natação a quem chamam de “campeão”, perde o posto de encarregado da piscina em um hotel para o filho (Dioucounda Koma). A substituição fere o orgulho do patriarca, humilha-o perante a comunidade

e só lhe resta passar os dias com as mulheres da casa.

O chamamento do jovem ao front pelo governo, no entanto, alterará a situação, não sem um segredo que vai opor os protagonistas. É o ponto final de uma trilogia sobre pai e filho na situação-limite da guerra que Haroun realizou também sob uma perspectiva pessoal ao ser alvejado por uma bala perdida. “A guerra no meu país é como uma herança passa de uma geração a outra”, disse em Cannes. “Pior, o conflito rompeu a transmissão da cultura de pai para filho e isso é determinante para acabar com uma nação.”