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Gosto de não seguir determinado padrão, diz Lydia Davis

por Marsílea Gombata publicado 05/07/2013 08h08
Dona de estilo conciso, contista americana defende a mistura de gêneros e formas
Marsílea Gombata
Lydia Davis

A contista americana Lydia Davis, durante a 11ª Flip

Aos desavisados ainda presos a formatos como poema, conto, crônica ou romance, Lydia Davis tem um recado: a literatura extrapolou seus limites, os padrões vieram ao chão.

Dona de um estilo único, a autora americana explora todas as possibilidades da palavra no papel e mistura o mundo cotidiano ao refinamento de um olhar sempre à espera de inspiração. “Qualquer coisa pode me inspirar e me deixar entusiasmada”, explicou nesta quinta-feira na 11ª Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). “Não há nada em particular. Às vezes a inspiração surge quando estou esperando na sala do aeroporto e ouço alguma coisa. O que faço é tentar me manter aberta e não julgar muito [o que está à minha volta]”, afirma ao confessar que está sempre tomando nota daquilo que vê potencialmente como história.

Defensora da narrativa curta e que explora ao máximo os limites da palavra, Lydia Davis tem gosto pela ideia inusual de misturar formas. “Ao escrever histórias curtas, gosto de sentir que a forma pode ser fluida e não seguir um determinado padrão. Me agrada o efeito de não ter algo pré-definido quando começo a trabalhar a forma em cima de algum tema.”

Ela conta também que sofre quando o texto é longo, mas quando se trata de um ‘nocaute’ literário sente “nada além de prazer” ao fazê-lo. Mesmo assim, não se obriga a terminar todas as histórias que um dia começou no papel. “O fim é um grande problema. Nem sempre ele está lá”, explica.

Lançado em meio a grande expectativa no Brasil, Tipos de perturbação (Companhia das Letras) traz 57 narrativas breves e potentes da contista americana. Apesar de serem de difícil definição, as peças trazem elementos da filosofia e do ensaio, mas carregam em seu âmago os gêneros conto e poesia. O tamanho de cada texto, no entanto, é inversamente proporcional à sua profundidade: por traz de alguns parágrafos, quando não apenas um, há profundos dramas pessoais e problemas sociais disfarçados de dilemas.

Tradutora. A autora, que chegou nesta quinta-feira 4 ao Brasil, é reconhecidamente uma das maiores tradutoras americanas. Fazem parte de seu portfólio grandes nomes como Marcel Proust e Gustave Flaubert. Seu novo livro enquanto escritora, no entanto, deve sair ainda em junho de 2014 nos EUA com o título de Can’t and won’t.

Na viagem ao Brasil, Lydia diz que ainda quer explorar a literatura local e ir além dos conhecidos Machado de Assis e Clarice Lispector, com que teve contato quando pequena através de A hora da estrela.

Na Flip, Lydia fala sobre os limites da prosa na tarde de sábado 6. Depois de Paraty, a autora continua sua viagem pelo Brasil – onde comprou A primeira pessoa e outras histórias, da escocesa Ali Smith, sua nova leitura. Na segunda-feira 8, ela vai para o Rio de Janeiro, onde participa do evento FLIP-FLUPP, na Penha, zona norte carioca. A atual vencedora do prêmio Man Booker International Prize fala na tarde de segunda-feira ao lado da franco-iraniana Lila Azam Zanganeh, autora de O encantador – Nabokov e a felicidade.