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Glória em retorno

por Orlando Margarido — publicado 01/03/2011 14h00, última modificação 01/03/2011 17h12
Após hiato, cinema turco apresenta nova geração que, desde os anos 90, se consolida com obras premiadas

O prestigiado cinema da Turquia tinha posto garantido nos principais festivais de cinema. Era o tempo de Yilmaz Güney, do clássico Yol (O Caminho, 1982), Palma de Ouro em Cannes, e Metin Erksan, para ficar em veteranos que atuaram até os anos 80. Houve um hiato e surgiu uma nova geração, que desde a década de 90 se consolida com obra premiada. O cinéfilo brasileiro conhece ao menos dois desses representantes. Nuri Bilge Ceylan chegou em mostras alternativas e em 2008 seu filme 3 Macacos mereceu estreia comercial impulsionado pela Palma de melhor direção em Cannes. Nesse período, Semih Kaplanoglu despontou. Dois dramas seus integrantes de uma trilogia, Ovo e Leite, passaram despercebidos por aqui, e Um Doce Olhar, que encerra a trajetória inversa de Yusuf da vida adulta à infância, chegou aos cinemas graças ao Urso de Ouro em Berlim no ano passado. Güney, morto em 1984, é o caso mais simbólico dessa cinematografia. De origem curda, o ator e diretor voltava-se ao homem comum e sua visão política o condenou várias vezes à prisão. É o mesmo registro humanista de Kaplanoglu. Embora com um tom poético determinante, seus filmes focam a dificuldade de sobrevivência dos que se mantêm no interior do país. Numa outra ponta, a preocupação estética e o interesse metafísico de Metin Erksan em filmes como Verão Seco, prêmio principal na Berlinale de 1964 e escalado na programação, parece se refletir na obra de Ceylan.

Tempos e ventos - viagem pelo cinema turco, em exibição no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo até 6 de março

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