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Cultura

Bravo! Exposição

Foto com caráter

por Rosane Pavam publicado 17/03/2013 09h51, última modificação 17/03/2013 09h51
Mostra traz 40 imagens que João Bittar pôs em rede social

PASSAGENS
João Bittar
Ímã Foto Galeria, São Paulo
Até 24 de abril

Ganham exposição em São Paulo 40 entre as últimas imagens capturadas pelo fotógrafo João Bittar, morto em dezembro de 2011, aos 60 anos. “Sem cortes ou tratamento”, como ele desejava, as fotos eram postadas em seu perfil do Facebook no mesmo dia em que ele as clicava. Transpostas a esta mostra por Thays Bittar, sua filha também fotógrafa, as imagens vivem dentro da geometria da capital paulista e perfilam o excluído, como aquele sem-teto sob o viaduto, à sombra, contra a luz. A pé ou em seu veículo, a câmera muitas vezes na altura da cintura, o artista procura a imagem cada vez mais próxima, desejando-a, portanto, cada vez melhor, a seguir os ensinamentos de Robert Capa, o grande fotógrafo do século XX no qual se espelhou.

Fundador em 1982 da agência Angular como uma cooperativa a respeitar os direitos de autor, nos moldes da Magnum de Capa, editor e repórter fotográfico em veículos brasileiros como IstoÉ ou Folha de S.Paulo, Bittar acreditava ser “impossível fazer fotojornalismo sem caráter”. A realidade da foto é a do fotógrafo: artista de grande bagagem cultural, Bittar buscou duramente o fato nem sempre visível. Seus personagens, capturados dentro da tradição da fotografia de rua, existem à margem, pontos dentro de um eterno retângulo a orientar o olhar do observador, como nos marcos da arte praticada entre os europeus no início do século que passou.

Sobre seu fazer fotográfico e a ação como professor, em muito esclarece o documentário João Bittar: Retratos de um pensador, realizado por Thays, Pedro Carnachioni, Luiz Almeida e Luiz Braz. Nele, parentes próximos, jornalistas e fotógrafos como Adi Leite, Rogério Assis, Juca Martins, Ormuzd Alves ou Eder Chiodetto explicam de que modo o “belo cidadão”, no dizer de Mino Carta, sacava “a notícia antes da notícia” e exercia seu “dom de aglutinar” profissionais de todas as gerações em busca de “retratar a sociedade brasileira.”