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Flagrantes de uma formação

por Orlando Margarido — publicado 12/10/2010 10h49, última modificação 12/10/2010 12h39
Exposição em Veneza trás 200 fotografias de Stanley Kubrick antes de estrear como diretor de cinema

O que fazia Stanley Kubrick com 17 anos, uma década antes de estrear no cinema com o longa A Morte Passou por Perto? Exercitava-se na fotografia, favorável ao caminho às telas. A revista Look entusiasmou-se pela surpresa de um jornaleiro ante a notícia da morte do presidente Roosevelt. A partir dali, fotógrafo da publicação, o rapaz registraria, entre 1945 e 1950, viagens, personagens comuns ou famosos, o circo, o jazz ou as universidades americanas. Os supostos 12 mil negativos da empreitada são representados numa exposição com 200 fotografias em Veneza.

Para não ser notado pelos personagens, Kubrick escondia um cabo da máquina fotográfica sob a manga do paletó e acionava o obturador da palma da mão. O recurso servia a celebridades como a atriz Betsy von Fürstenberg, que aparece num elegante jantar descascando banana. Mas o foco mais afinado do autor privilegiava nem tanto a técnica, e, sim, a inspiração da realidade, nos EUA e em outros países. Em Portugal, à beira-mar, flagra homens em esforço braçal. Sem glamour, comparecem os trabalhadores de circo. Enquanto ordenava tratamento informal e realista a essas cenas, consumava algo de artificial quando tratava de territórios sofisticados, como a Universidade Columbia. De posse de sua Rolleiflex, Kubrick antecipava preocupações que marcariam o mestre de obras-primas como 2001 – Uma Odisseia no Espaço e O Iluminado.

STANLEY KUBRICK FOTÓGRAFO

Palazzo Cavalli Franchetti, Veneza
Até 14 de novembro