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Feliz 2011 pra vc tb

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 11/01/2011 15h22, última modificação 11/01/2011 16h13
As árvores de Natal se modernizaram e os cartões deram lugar a mensagens eletrônicas

As árvores de Natal se modernizaram e os cartões deram lugar a mensagens eletrônicas

Nada de comprar cartões de boas-festas, de enfrentar filas nos Correios, de preocupar-se com prazos e retribuições. Nada de cartões estilosos ou antigos, daqueles preciosos mesmo que nem eram tão baratos assim, e iam soltando purpurina qual neve no tapete da sala, num rastro que indicava um tempo de brilho.
Por isso, a incandescente árvore de leds que quase dispensa bolas, laços, luzes e outros quindins ficou mais clean ainda, ou pobre, sem os cartões que no passado iam sendo colocados no pé ou ornavam o símbolo máximo do Natal nas casas.
Aliás, as árvores limpas, com essa tecnologia que vai multicolorindo os galhos verdes, esgotaram-se rapidamente nas lojas. Novidade que já nasceu popular, um hit nas ruas da Saara, Alfândega e adjacências, nos halls dos edifícios e recepções de consultórios médicos.
Anos atrás, os cartões de boas-festas não só passavam a fazer parte da decoração natalina doméstica, que deveria ser desfeita pontualmente em 6 de janeiro, Dia de Santos Reis, como expunham aos visitantes e a quem os recebia o quanto se era querido, popular ou lembrado.
 Cartões tão expressivos e rococós que valiam a pena ser guardados. Até que vieram os bem-intencionados marqueteiros do Unicef e, logo atrás, os dos nossos Correios e ONGs e passaram a régua na tradição em nome da ação social. Fazer o quê se a causa era justa, o preço baixo e os tempos outros?
Em 2010, nunca foi tão fácil expressar os nossos desejos on-line tocando a tecla send; enviar ou receber uma canção natalina de Bing Crosby ou um velho comercial com um Papai Noel sem rou-rou-rous pelo YouTube; e generalizar o texto e anunciar nossos sinceros votos pelas redes sociais, como num comercial de tevê.
No ano que mal dobra a esquina, foi trivial receber cartões eletrônicos e estar ali no meio de uma infindável lista de “amigos” para os quais os melhores desejos foram disparados simultanea-mente. Bastou ainda atentar para os sinais emitidos pelos celulares e abrir mensagens de texto com bons augúrios “para vc e tb para a sua família”.
Sem duvidar dos propósitos dos emitentes e emocionados de verdade, reagimos automaticamente, apertando a tecla responder e cometendo as mesmas abreviações, para ganhar tempo na mesma língua dos Homens deste tempo.
Não foi necessário ouvir a voz de ninguém, tampouco falar com alguém, pelo menos com os mais distantes geo-gráfica e emocionalmente, para demonstrar nossos desejos ou, simplesmente, seguir a cartilha dos especialistas em relações pessoais e do trabalho: dar, a distância, um banho de champanhe ou de sidra na nossa network.
Neste final de década, foi possível passar as festas sozinho e ao mesmo tempo com todo mundo no mundo. On-line, brindamos os amigos na Cochinchina, Nova York, Maceió, Ipanema ou a dois quarteirões de casa com a sensação de que lembramos e fomos lembrados, apenas de uma forma diferente e cada vez mais igual.
Deus nos livre que o pozinho prateado impregne as teclas de nosso computador enquanto todos os caracteres não virarem toques na tela. Sendo assim, o futuro que se populariza tão rápido quanto as árvores de Natal de leds- poderá dar uma chance à purpurina e a outros símbolos pré-diluvianos que cintilam nas calendas da memória de alguns em épocas festivas.
Pagando a língua
Acaba de chegar, via postal, um tradicionalíssimo cartão de Happy Hollidays de uns amigos do Texas.