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Farrapo romântico

por Orlando Margarido — publicado 02/02/2013 08h05, última modificação 02/02/2013 08h05
Abordando o alcoolismo e reabilitação, o filme passa longe de ir fundo nas questões tabu

O LADO BOM DA VIDA
David O. Russell

O lado bom da Vida, estreia de sexta 1º, é exemplar de como Hollywood dirime temas mais complexos da sociedade em geral e da americana em particular para uma abordagem digerível. Há de início no filme de David O. Russell (do eficiente O Vencedor) o que promete ser um embate dramático entre o jovem Pat (Bradley Cooper) e seus pais (Robert De Niro e Jacki Weaver), efeito propagado na readaptação social. Pat é um bipolar recém-saído de uma instituição de tratamento mental. Chegou a esse estágio, ou descobriu-se como tal, quando flagrou a mulher com outro homem no chuveiro de casa.

Saiu quebrando tudo, inclusive o amante. Sua reabilitação à base de medicamentos de tarja preta e as conversas com o psiquiatra incluem reencontrar o equilíbrio e a esposa com quem quer reatar o casamento. Planos balançados quando conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), traumatizada pela perda do marido e também em processo de reajuste.

O encontro, antes de fornecer lenha dramática, entorna a trama para a chave romântica, suavizando a possível tensão. Se não compromete de todo uma análise desses desajustados, ou em termo mais adequado ao ambiente americano, fracassados, o contexto perde de vista uma interessante discussão da promessa de vida normalizada, de preferência feliz, associada aos ansiolíticos.

Estamos longe dos filmes que foram fundo em questões tabu, como o alcoolismo que em Farrapo Humano (1945) devora o personagem de Ray Milland e o faz perder a dignidade e a namorada. Há só boa intenção nessa versão atual do escape, reforçada por um olhar complacente da Academia, que entre as indicações ao Oscar avalizou melhor filme, diretor e o casal de atores protagonista e coadjuvante.

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