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Falência moral e política

por Orlando Margarido — publicado 10/09/2010 13h27, última modificação 11/09/2010 14h19
Mistura de documentário e ficção, para um apanhado de tipos locais, de mulheres presas a voluntários de ONGs, assim é "Napoli, Napoli, Napoli", de Abel Ferrara

Nápoles é um caso para a Itália e seu cinema. De filmes de origem realista e política dos anos 60 ao recente Gomorra, cineastas investigam como a cidade meridional opera entre a face solar e o crime organizado. Abel Ferrara, nova-iorquino de família italiana, é mais um deles a tentar compreender o que levou o lugar à falência moral e política. Em Napoli Napoli Napoli, lança mão do “docudrama”, mistura de documentário e ficção, para um apanhado de tipos locais, de mulheres presas a voluntários de ONGs.

Cada um de seus roteiristas dedicou-se a um front dramático. Gaetano Di Vaio, por exemplo, relata sua experiência como condenado. A vertente mais reveladora é das prisioneiras. Elas estão ali tanto pela figura exercida de traficante como de usuário, já que, para manter o vício, apelaram ao crime. Sem opções de reintegração na sociedade, reincidem no roubo e não são raras as que preferem ficar na prisão. Enquanto as ouve, Ferrara encena um melodrama de Peppe Lanzetta relativo a uma família de baixo estrato social.

Um dos maiores contrastes sociais da cidade se dá na periferia, onde nos anos 70 e 80 o governo construiu prédios populares para recuperar a zona de pobreza. A degradação hoje é visível, com a região se transformando em um dos principais cenários de atuação da Camorra. Mas, na palavra de anônimos que buscam dar dignidade a jovens e crianças, Ferrara procura a Nápoles acolhedora. Ele mesmo sobe num palco para cantar e tocar à moda napolitana.

"Napoli napoli napoli "
De Abel Ferrara