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Cultura

Calçada da Memória

Ex-namoradinha da América

por José Geraldo Couto — publicado 28/09/2011 10h16, última modificação 28/09/2011 10h16
Uma aura de tragédia parecia cercar a garota de rostinho bonito. Basta ver os principais filmes que ela estrelou: Juventude Transviada, Rastros de Ódio e West Side Story

Duas coisas marcaram para sempre a vida de Natalie Wood (1938-1981): o estrelato precoce e o medo da água. Filha de russos emigrados (o pai, arquiteto, a mãe, bailarina), ela estreou no set aos 4 anos. Aos 12, já tinha contracenado com gente como Orson Welles, Claudette Colbert e Bette Davis.

Foi num dos mais de 20 filmes em que atuou como atriz mirim que Natalie quase morreu ao cair em um rio. Pouco antes ou pouco depois, uma cigana previu que ela morreria afogada. Desde então, teve pânico de água a vida toda, até morrer no mar, aos 43 anos, depois de cair em circunstâncias misteriosas do iate onde estava com o marido, Robert Wagner, ao fim de uma noite de bebedeira.

Uma aura de tragédia parecia cercar a garota de rostinho bonito com 1,52 metro de altura. Basta ver os principais filmes que ela estrelou: Juventude Transviada (Nicholas Ray, 1955), Rastros de Ódio (John Ford, 1956), West Side Story (Robert Wise, 61), Clamor do Sexo (Elia Kazan, 1961), Esta Mulher É Proibida (Sydney Pollack, 1966). As ocasionais comédias, como Médica, Bonita e Solteira ou A Corrida do Século, não chegam a aliviar essa carga.

Se na adolescência foi rebelde, fumando e namorando homens mais velhos (Dennis Hopper, Elvis Presley, Robert Wagner), Natalie passou o resto da vida alternando as tentativas de ser uma boa esposa e mãe com quedas periódicas na depressão, no álcool e nas tentativas de suicídio, que ocasionaram hiatos em sua carreira.

Na memória dos fãs, ficou como uma espécie de ex-namoradinha da América, aquela com quem o amor quase deu certo, escapou por um triz.

Juventude Transviada (1955)
Jim Stark (James Dean), rapaz de classe média, muda-se para um subúrbio de Los Angeles, onde enfrenta os bad boys locais e a quadradice dos pais amparando-se no amor de Judy (Natalie Wood) e na amizade de Plato (Sal Mineo). Protótipo dos filmes de juventude, levado com a classe de Nicholas Ray.

Rastros de Ódio (1956)
Ethan Wards (John Wayne), veterano confederado, tem a família dizimada por comanches, que raptam a sobrinha Debbie (Natalie Wood). Ele empreende uma busca que dura anos até encontrá-la aculturada pelos índios. Um grande filme de John Ford, considerado a Odisseia do Velho Oeste.

Clamor do Sexo (1961)
Numa cidade do Kansas, em 1928, a frágil Deanie Loomis (Wood) se apaixona por Bud Stamper (Warren Beatty), capitão do time de futebol e filho de poderosa família local, mas seu romance é sufocado pelo conservadorismo moral da época, gerando tragédia e frustração. Poderoso drama de Elia Kazan.