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Estrada promissora

por Orlando Margarido — publicado 21/02/2011 17h21, última modificação 21/02/2011 18h27
A chance de confirmar a afinidade entre Al Pacino e o diretor Jerry Schatzberg vem agora com O Espantalho, filme em que o questionamento dos valores vigentes norteia a história

Al Pacino já era um ator de teatro quando o diretor americano Jerry Schatzberg lhe deu o primeiro papel de protagonista, em 1971, com Os Viciados. Dois anos depois, voltariam a filmar juntos com outro personagem marcante para o jovem intérprete. Mas o andarilho de espírito libertário de O Espantalho foi precedido por Michael Corleone, a oportunidade que Francis Ford Coppola deu a Pacino de se tornar célebre. O resultado é que parece ter cabido a este último a descoberta do ator, o que o próprio Pacino já contestou ao lembrar a importante parceria com Schatzberg.

A chance de confirmar a afinidade vem agora com o lançamento do DVD de O Espantalho. Trata-se de um filme característico da produção dos anos 70, em um dos melhores retratos do período, e o ideal de questionamento dos valores vigentes norteia a história. Max (Gene Hackman) e Lion (Pacino) encontram-se em uma estrada do interior americano, onde dividem carona. O primeiro acaba de deixar a prisão e o outro abandonou mulher e filho para cair na vida. Sintonizam seus interesses rapidamente e jogam-se em aventuras, um bico que não dá certo ou o encontro de Max com um antigo amor. Acima de tudo, tentam se manter ao largo da escala capitalista e atordoante que a América lhes exige.

É o universo pelo qual Schatzberg sempre gostou de trafegar, ao menos no início de carreira, aquele dos personagens fracassados ou inapetentes a atender ao chamado da dita sociedade respeitável. Antes de Os Viciados, sobre um grupo de jovens dependente de heroína, fez sua estreia com Puzzle of a Downfall Child, sobre a vida de uma modelo que vai ao limite por sua carreira, interpretada por Faye Dunaway. Schatzberg, ele mesmo, foi fotógrafo de moda e conhecia o meio o suficiente para um relato convincente. Também talvez pela habilidade deixou a fotografia de O Espantalho a cargo do húngaro Vilmos Zsigmond, grande talento que migrou para os EUA. O filme é belo visualmente, mas foi a síntese de uma época a qualificá-lo ao Ouro em Cannes.

O Espantalho, direção de Jerry Schatzberg, Lume Filmes, 49,90 reais