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Cultura

Bravo! Exposição

Escultor ex machina

por Orlando Margarido — publicado 14/03/2013 18h37, última modificação 14/03/2013 18h37
Nicolas Vlavianos traz exposição de caráter retrospectivo a partir de quarta-feira 13 na Caixa Cultural do Recife, em seguida levada a Fortaleza

NICOLAS VLAVIANOS – ESCULTURAS E DESENHOS
Caixa Cultural do Recife
De 13 de março a 5 de maio

Custa a crer que o grego Nicolas Vlavianos tenha iniciado o ofício artístico na pintura, tão indissociável seu nome se tornou da escultura. Mas é também isso que nos lembra a exposição de caráter retrospectivo a partir de quarta 13 na Caixa Cultural do Recife, em seguida levada a Fortaleza. Na seleção se inclui outra qualidade, a de desenhista, em cerca de 30 trabalhos prontos e outros tantos esboços preparatórios às obras de ferro, aço e metais diversos. Estas são em número de 33 e atestam o percurso do fim dos anos 1950, durante os primeiros estudos em Paris, até um período contemporâneo, maior parte dele cumprido em São Paulo, onde o artista se radicou e ainda trabalha.

Trata-se de uma trajetória alheia a escolas formais ou modismos, caracterizada pelo isolamento no Brasil, como acentuou em entrevista de 1974 ao crítico Mário Chamie. No limite entre figuração e abstração, que se revela na série inicial Metamorfoses, Vlavianos consolidou temas, ou metáforas visuais, como prefere, a exemplo da relação do homem com a máquina. São simbólicos os chamados Personagens, humanos robotizados surgidos na primeira produção, seguida pelos Astronautas, e uma ideia retomada na década de 1990 com os utensílios domésticos.

Sempre disposto a transfigurar sua obra, como aponta Walter Zanini, o escultor deixou-se tomar nos anos 1970 pela exuberante natureza tropical do País e exercitou-se na rara temática de plantas e pássaros. Em todas as vertentes está a vocação peculiar desse mestre octogenário em trabalhar uma geometria incerta com recortes, dobras e rebites, fazendo uso de parafusos e soldando o ferro segundo a técnica que o surpreendeu na aventura parisiense, afastando-o do destino
da pintura.