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Eras de extremos

por Rosane Pavam publicado 01/09/2010 17h07, última modificação 03/09/2010 17h12
Enquanto narra comicamente seu elogio às mulheres americanas, o desenhista Robert Crumb mostra o autodeboche do escritor Franz Kafka
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Inspirou-se em Clay Wilson. "Ele desenhava qualquer maluquice que passasse por sua cabeça"

Enquanto narra comicamente seu elogio às mulheres americanas, o desenhista Robert Crumb mostra o autodeboche do escritor Franz Kafka

A história pertence a quem sabe contá-la. O desenhista americano Robert Crumb é um historiador. Depois que relatou os anos 60 americanos em livros e revistas, aquela se tornou a era Crumb. Nesse particular, o artista de 67 anos, filho de fuzileiro naval, que começou desenhando cartões de aniversário, ombreou-se a poetas distantes, Homero entre eles. O autor da Ilíada fez com que a Guerra de Troia, possivelmente ocorrida entre os anos 1300 e 1200 a.C., jamais retratada por um troiano, ficasse para sempre registrada sob sua perspectiva grega de narrador. A busca por liberdade dos jovens norte-americanos caídos por drogas, sexo, música e gurus na segunda metade do século XX ganhou em Crumb um retratista. Sem ele e sua geração, os contestadores de ontem talvez nadassem hoje no esquecimento.

Com Franz Kafka (1883-1924), um autor no limiar da queda de um império, o dos Habsburgo, aconteceu coisa parecida no início do século passado. Um dos maiores escritores do Ocidente, ele não relatou os terríveis e concretos fatos a envolver seus vizinhos, parentes e amigos subjugados no gueto de Praga. Mas descreveu em pormenores a paisagem mental do período, o pânico e o horror diante da febre eugênica e do racismo, como raros fariam literariamente, antes ou depois.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 612, já nas bancas.