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Épicos da alma humana

por José Geraldo Couto — publicado 13/11/2011 09h03, última modificação 13/11/2011 09h56
Filho de imigrantes gregos, John Cassavetes trabalhou como ator no teatro, no cinema e na televisão. Também diretor, transformou-se em referência no “cinema independente” ou “cinema verdade” nos Estados Unidos
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Filho de imigrantes gregos, John Cassavetes trabalhou como ator no teatro, no cinema e na televisão. Também diretor, transformou-se em referência no “cinema independente” ou “cinema verdade” nos Estados Unidos

Sempre que se fala em “cinema independente” ou “cinema verdade” nos Estados Unidos, John Cassavetes (1929-1989) é citado como um destemido pioneiro. “Ele encarnou a emergência de uma nova escola de cinema de guerrilha em Nova York”, resume Martin Scorsese.

Filho de imigrantes gregos, Cassavetes formou-se em 1950 na American Academy of Dramatic Arts e passou a trabalhar como ator no teatro, no cinema e na televisão. Das aulas de atuação em teatro que ministrava em Nova York surgiu o projeto de seu primeiro longa como diretor, Sombras (1959), realizado totalmente fora dos padrões hollywoodianos.

De baixíssimo orçamento, financiado por meio de subscrições entre amigos e parentes, o filme trazia já as principais marcas do cinema do diretor: planos longos, espaço para a improvisação dos atores, equipamento leve, filmagens fora do estúdio.

A partir daí passou a alternar seu cinema independente, feito com um grupo pequeno e fiel de atores – sua mulher Gena Rowlands, Ben Gazzara, Seymour Cassel, o próprio Cassavetes –, e alguns projetos de encomenda e trabalhos na tevê. Como ator, esteve em quase 80 filmes, entre eles Os Doze Condenados, de Aldrich, O Bebê de Rosemary, de Polanski, e A Fúria, de De Palma.

Cassavetes foi um dos poucos cineastas indicados a Oscars nas três categorias: direção, roteiro e ator. Não ganhou nenhum.

Suas principais obras – Faces, Uma Mulher sob Influência, Glória e Amantes – foram incensadas na Europa e influenciaram todo o cinema independente que veio depois. “Todos os filmes de Cassavetes são épicos da alma”, definiu seu admirador Martin Scorsese.

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Sombras (1959)

No ambiente alternativo da Manhattan da era beatnik, um cantor mulato (Hugh Hurd) e seus irmãos vivem situações de racismo velado ou explícito. Com um andamento solto como a trilha de jazz, o filme de estreia de Cassavetes tem um tom de registro documental das reações humanas. Ganhou o prêmio da crítica em Veneza.

 

Faces (1968)

Crise de um casal de classe média. Richard Forst (John Marley) abandona a esposa Maria (Lynn Carlin) por uma mulher mais jovem (Gena Rowlands). Desesperada, Maria aborda um jovem (Seymour Cassel) na rua e o leva para casa. Os afetos e paixões são levados ao extremo neste que é um dos psicodramas cruciais de Cassavetes.

 

 

 

 

Uma Mulher sob Influência (1974)
Um operário (Peter Falk) às voltas com a instabilidade mental da mulher (Gena Rowlands). Ele tenta absorver o comportamento estranho dela para preservar os filhos, até a ruptura. Uma visão anticonvencional da loucura. O filme foi indicado aos Oscars de direção (Cassavetes) e atriz (Rowlands).