Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Encontro nas ruas

Cultura

Encontro nas ruas

por Flávia Fontes de Oliveira — publicado 09/10/2011 09h32, última modificação 09/10/2011 09h36
Surpresa é o que faz o público seguir as peças do grupo italiano Cia. Teatro Due Mondi, que se apresenta no centro de São Paulo

No teatro de rua, mais do que a disposição arquitetônica e a vida das cidades, a particularidade decisiva parece ser o movimento do público. Esta é a margem com que trabalha a Cia. Teatro Due Mondi, fundada há 32 anos, em Faenza, norte da Itália. A companhia apresenta no Brasil nos dias 12, 13 e 14 os espetáculos Ay´ Lamor (2008) e Fiesta (1991). As duas peças encerram a Mostra Italiana de Teatro de Rua, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil, parte da programação do Momento Itália-Brasil, e acontecem no centro de São Paulo, no Pátio do Colégio.

“A peculiaridade real do teatro de rua não é tanto o fato de que atores se movimentam, mas quem se move é o público. A dramaticidade dos movimentos tem de antecipar todos os possíveis pontos de vista do observador. O que faz o público seguir o espetáculo é a surpresa. Eles caminham juntos, atores e espectadores, em uma mistura de papéis, na tentativa de transformar em um único organismo a multidão pela cidade”, diz o diretor do grupo, Alberto Grilli, responsável pelos dois textos exibidos no País.

Desde sua fundação, o   grupo não atua apenas na rua. Inicialmente, colocou-se próximo da prática do “teatro de grupo”, que contempla a continuidade dos trabalhos. Também foi influenciado pelo diretor italiano Eugenio Barba e sua ideia de que cada ator enfrenta a busca de sua identidade. Com esse encontro, o Teatro Due Mundi privilegiou o que chama teatro a partir do ator, no qual busca munir o artista com elementos de dramaturgia, de direção e de atuação para  criar uma estética de narrativa pessoal. “O ator multiplica suas energias na rua. Devemos sempre fazer o público sentir que olhamos para ele, que ele é importante”, diz o diretor.

Ay’ Lamor quer que o espectador reconheça e reviva suas histórias e emoções por meio das músicas tradicionais do sul da Itália e canções de amor. Escadas e máscaras bifrontais, elementos eleitos para contar a história, traduzem alegria e dor, esperança e decepção, conquistas e perdas. Fiesta é uma celebração. Os atores passeiam pelas ruas e convidam todos a segui-los.

Em mais de três décadas, foram 25 espetáculos montados pela trupe, muitos feitos para o espaço não convencional das ruas. Projetar palcos móveis e invisíveis no meio das cidades e imiscuir-se nelas têm sido a assinatura do grupo em turnês seguidas e ininterruptas.

CIA. TEATRO DUE MONDI

Ay´ Lamor, dias 12, 15h, e 13, 13h
Fiesta - dia 14, 13h
Pátio do Colégio - São Paulo