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Duas tradições

por Camila Alam — publicado 29/08/2010 11h08, última modificação 29/08/2010 11h08
Brasil e Venezuela dialogam em exposição inédita

Brasil e Venezuela dialogam em exposição inédita

Parte de uma importante compilação latino-americana aporta no País pela primeira vez e é exibida na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, na exposição Desenhar no Espaço. Vindas da coleção Patricia Phelps de Cisneros, cerca de 90 obras fazem parte do recorte feito pelo venezuelano Ariel Jiménez, que une importantes artistas dos dois países. Segundo o curador, a mostra tem como objetivo firmar um diálogo entre as produções, mas também fazer um panorama da formação de movimentos de vanguarda no Brasil e Venezuela com obras que abrangem as décadas de 1940 a 1970.

“O fato de um número significativo de artistas ter tentado trabalhar fora dos limites tradicionais das artes plásticas é algo que transcende tanto a produção individual desses artistas como os diversos contextos nacionais ou regionais nos quais atuaram”, diz o curador em texto da mostra. Nesta seleção estão nomes do abstracionismo realizado no Brasil (como Willys de Castro, Lygia Clark e Hélio Oiticica) e na Venezuela (Gego, Alejandro Otero, Jesus Soto, entre outros). Juntas, suas obras tomam dois andares expositivos da Fundação para fazer uma espécie de comparativo entre o reflexo do estilo europeu nos dois países e as transformações iniciadas com novas
formas de expressão.

“O estudo comparativo de ambas as tradições tem a vantagem de nos ajudar a definir com mais clareza tudo que lhes é mais característico”, diz Jiménez, que enfoca como ponto de convergência a influência dos movimentos concrio intelectual e humano distinto daquele onde se formaram.”

A mostra também relaciona artistas que definiram sua obra pela experimentação da cor. É o caso de Willys de Castro, que apresenta cores de maneira maciça e solidificada, enquanto Carlos Cruz-Diez trabalha com transparências e efeitos de ótica. Em Porto Alegre até o dia 31 de outubro, a mostra Desenhar no Espaço segue posteriormente para a Pinacotecretistas da Europa. Outra característica se resume ao lugar de destaque que os dois países receberam por terem sido escolhidos como residência para artistas europeus fugidos da Segunda Guerra. A suíça Mira Schendel escolheu o Brasil, enquanto a alemã Gertrude Goldschmidt, ou Gego, a Venezuela. “Ambas eram de origem judaica e emigraram adultas, já formadas. Um fator determinante é que ambas começaram o essencial de sua obra plástica na América, em um cenáa do Estado de São Paulo.

DESENHAR NO ESPAÇO
Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre
Até 31 de outubro