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Democracia é assim

por Menalton Braff publicado 26/08/2016 10h32
Quem se importa com saúde e educação?
Tânia Rêgo / Agência Brasil
Eleição

Eleitores em meio a santinhos jogados no chão no Rio de Janeiro, em 2014

Vereador não se torna vereador sem que você queira. É o seu voto que o guinda aos bancos da edilidade. Então agora aguenta. Democracia é assim mesmo. Somos chamados a participar da vida pública apenas no dia de eleição. Anda todo mundo metendo a boca em nossos edis somente porque eles preferiram andar de carro zero quilômetro. Eu, pra falar a verdade, também prefiro, mas nunca pensei em me candidatar a coisa nenhuma. Azar o meu, que continuo um cidadão dos comuns, desses que andam aí pelas ruas e ninguém pergunta quem é aquele cara ali.

Depois das eleições, durante quatro anos temos de ver e calar porque não há força que tire os vereadores do castelo encantado para onde os enviamos.

Em meu projeto de democracia as coisas seriam bem diferentes. Em primeiro lugar, cargo eletivo, como o de vereador, não seria remunerado. Claro que o edil também não deve pagar pelo cargo, isso não.

Imaginem, por exemplo, um executivo empresarial. Suas atividades públicas (as esporádicas reuniões da Câmara e muito pouca coisa mais) não seriam incompatíveis com suas funções privadas. Uma das funções não ocupa o tempo da outra. Ora, se um cidadão aceita representar uma parcela da população, compromete-se a trabalhar em benefício dela, então por que ser remunerado para isso? Vereador não é profissão, não é meio de vida. Ou não deveria ser.

Nossa democracia seria aperfeiçoada se os mesmos eleitores que elegem alguém tivessem, a qualquer momento, o direito de cassar seu mandato. Existem as dificuldades para determinar quem elegeu? Claro, mas um controle desses não seria tão difícil de se inventar. Mas apenas os eleitores do dito cujo. Caso contrário, seria muito fácil por alguma birra ou qualquer ambição reunir a totalidade dos eleitores para cassar um mandato.

Sem remuneração, o número de candidatos fatalmente diminuiria. E com o direito dos eleitores de cassarem um mandato, acho que nenhum dos edis estaria pensando em carro zero quilômetro.

Gostei muito dessa ideia que proíbe empresas de contribuírem nas campanhas eleitorais. Uma pena terem deixado aí uma fresta: o dono da empresa, uma pessoa muito física, pode contribuir. Legalmente, entenderam? E quem é que não sabe que o fulano é o dono da empresa tal, que será escolhida para as obras de prefeitura? A ideia não está errada, mas não vai resolver nada.  

E tem gente falando em gastos com a saúde! A saúde, ora a saúde! Essas coisas como saúde, educação, saneamento básico, ruas esburacadas, quem se importa com isso?