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Cultura

Crônica do Menalton

De eleições

por Menalton Braff publicado 16/04/2013 12h01, última modificação 19/04/2013 09h42
Existem basicamente dois tipos de candidatos, dois tipos de regimes políticos, dois tipos de eleitores. Saiba quais são

Não, não vou falar das eleições na Venezuela, pois estou escrevendo esta crônica um dia antes do referido pleito. Mas é claro que tal fato me suscita uma reflexão sobre o assunto e a quero partilhar com aqueles que vivem a mesma perplexidade em que me afundo.

No país em que vivemos, existem meios de comunicação, sobretudo os dominantes, aqueles que mais intensamente formam a opinião pública, com sua ideologia, seus valores, dizendo o que é certo e o que é errado; o que combater e o que defender.

De uns tempos para cá, venho dando-me o trabalho de observar o que dizem tais meios, cujo poder é de tal grandeza que cooptam acadêmicos de alto coturno (essa expressão ainda existe?) para homologarem sua doutrinação. Ah, sim, porque se trata de doutrinação. E cinicamente eles vem-me dizer que ideologia não existe mais. Na verdade, o que está implícito em uma afirmação tão aparentemente ingênua como essa é que agora só existe a ideologia deles.

Pois bem, mas o assunto são eleições.

A partir do fenômeno eleitoral, que se divide em dois tipos fundamentais, esses meios de que falo vão dividir o mundo quanto a seu regime político.

A exigência primeira é que os governantes sejam eleitos por sufrágio universal. Ponto.

Mas a coisa não para por aí. Existem dois tipos de candidatos, dois tipos de regimes políticos, dois tipos de eleitores. E é aí que um simples mortal apartidário como eu, mergulha numa confusão da qual é muito difícil sair.

O caso é o seguinte:

Se o candidato faz a defesa do indivíduo em detrimento da sociedade, isto é, se ele é rico ou defende a classe média alta e os ricos, sua eleição vai ter como conseqüência um regime democrático. Em resumo: democracia é um regime político que defende o individualismo (Quem não tem competência não se estabeleça) e a defesa do individualismo passa pela defesa dos donos das riquezas da Terra. Esse é o regime político agradável aos patrões do mundo, aquele que eles aceitam e não ameaçam. Mas isso já é outra história.

Se o candidato, contudo, faz a defesa da sociedade como espaço da solidariedade, se defende a melhoria da qualidade de vida da classe média baixa e dos pobres, ah, meu amigo, então é um populista, e populismo é uma das faces da ditadura. Se os pobres elegem um cidadão para que os governe, os pobres instauram uma ditadura. Simples como água limpa, não acham? E os patrões do mundo podem edulcorar um governo imposto pelas armas e contra a vontade dos eleitores, contanto que esse governo diga amém a tudo que eles mandam dizer.

Está tudo perfeito, mas agora já não consigo mais entender o que seja democracia, tampouco ditadura. Sou eu o maniqueísta ou são os tais meios?

Quanto à Venezuela, bem, ela só me deu o mote.

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