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Edgard Catoira

Corrida entre glamour de desfiles e a realidade dos negócios

por Edgard Catoira — publicado 08/01/2012 10h19, última modificação 06/06/2015 18h20
De 10 a 14 de janeiro o Rio terá 48 desfiles de moda. Como conseguir acompanhar toda a agenda?
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De 10 a 14 de janeiro o Rio terá 48 desfiles de moda. Como conseguir acompanhar toda a agenda?

Quem pensa que Moda é apenas um assunto fútil, não tem idéia sobre o que é o setor. Como marido de uma jornalista que atua há mais de 30 anos na área, de cátedra, posso afirmar que tudo no setor é “estiva” pura.

O que aparenta ser glamuroso é guerra de titãs. Com muito dinheiro correndo no mercado. Para se ter idéia da importância da Moda no Rio, a Firjan contabiliza três mil empresas que geram 90 mil empregos na cadeia produtiva fluminense.

Os números mostram a importância econômica da Moda para o Estado. Que aumenta, quando começam os lançamentos de coleções, com milhares de empresários lotando a rede hoteleira da cidade.

Para complicar ainda mais a verdadeira maratona que representam os eventos de cada temporada – agora começa a do lançamento do inverno de 2012, no Rio – duas empresas promotoras continuam se enfrentando no calendário fashion.

A Luminosidade (leia-se São Paulo Fashion Week) criou dois eventos:

De um lado, “Sou Rio, essa bossa é nossa”, tema da 20ª edição do Fashion Rio, com 23 desfiles e exposições no Pier Mauá, sob o comando de Paulo Borges e parceiros – e haja parceiros – (Sesi / Senai moda / Firjan / Sebrae / O Boticário / Melissa / Coca-Cola / Ipanema / HP / Hering / Grupo Godoy / Porto Seguro / Prefeitura do Rio de Janeiro / Riotur / Governo do Estado do Rio de Janeiro / Pier Mauá / Inmod / Texbrasil / Abit  e Apex).  Só este evento obriga o público – e os jornalistas – a percorrer, correndo, de salto alto ou não, quilômetros das pistas do cais do Rio para – tentar – acompanhar tudo o que acontece nos antigos galpões do porto.

Paralelamente, também da Luminosidade, acontecerá o Rio-à-Porter , um Salão de Moda que integra a plataforma de negócios do Fashion Rio. O Rio-à-Porter integra a plataforma de negócios do Fashion Rio com workshops, palestras e empresas apresentando peças selecionadas de suas coleções a compradores de todo o Brasil e do exterior. Só que, este ano, o endereço mudou: sai do Pier e vai para a Casa Firjan da Indústria Criativa, um palacete em estilo francês construído em 1910, no bairro de Botafogo, que pertenceu à família Guinle Paula Machado.

Mas, nos mesmos dias desses dois acontecimentos – de 10 a 14 de janeiro – o aparente glamour também estará de outro lado da Zona Sul carioca, na 19ª Senac Rio Fashion Business, que se mudou do Aterro do Flamengo para o Jockey Club, no bairro da Gávea e terá um tema ecológico: “Verdejante”!

Com 15 desfiles e 300 expositores participando da bolsa de negócios – dentre eles 78 marcas de 15 Núcleos Criativos que representam as cidades fluminenses – o evento tem a direção de Eloysa Simão, da Dupla Assessoria, e o patrocínio de Senac Rio, Sebrae Nacional, Prefeitura do Rio – Riotur e Governo do Estado, além do co-patrocinio dos Correios, o apoio de Fecomércio-RJ, Ajorio, IBGM – Instituto Brasileiro de Gemas e Metais – e coroada com a promoção da Globo Rio.

Nos quatro dias, a maratona terá 48 desfiles, pois ainda é preciso incluir o segmento de novos talentos do Rio Moda Hype, no Pier Mauá. E mais uma programação pesada de palestras, workshops e debates voltados para a economia criativa na moda e os desafios para seu desenvolvimento dirigidos aos empresários, jornalistas e visitantes dos eventos. E todos precisam otimizar a estada, cara, no Rio de Janeiro.

Tudo de 10 da manhã às 21 horas, horário do início dos últimos desfiles – que sempre atrasam. Mas como conseguir acompanhar toda a agenda? É o que se perguntam os interessados.

A Dupla garantiu o sucesso do Fashion Rio, a agenda dos desfiles/show, e o Fashion Business, a bolsa de negócios que veio como conseqüência para alimentar as vendas do setor até 2009.

Foi nessa altura que a Luminosidade entrou para abalar e ganhou a parceria da Firjan. Eloysa Simão perdeu o Fashion Rio mas brigou e ganhou o Fashion Business,  fechando com o Senac Rio e a Fecomércio, tornando-se um evento de resultados positivos – tanto que tem incluído desfiles comerciais na sua programação.

A Dupla prevê, para esse Fashion Business, a visita de 70 mil pessoas e 20 mil lojistas, com um faturamento de 750 milhões de reais para os expositores, depois de um investimento de 16 milhões de reais. Paulo Borges, com os desfiles do Fashion Rio, para não ficar atrás, criou o Salão Rio à Porter, reconhecendo o excelente pólo de negócios de moda que é o Rio de Janeiro.

A briga é de gente grande. Os promotores organizam as programações – que nesta edição parece até que de propósito, conseguiram sobrepor os horários. E  como ficam os chamados "clientes"?

Será que essa divisão – Luminosidade e Dupla – com eventos simultâneos vai acrescentar vendas às empresas participantes dos salões de negócios?  Eis aí uma das investigações que os jornalistas de moda e de economia terão de acompanhar – além, de anotar as tendências das confecções para o mundo “fashion”. Quanto aos compradores e lojistas, cada um terá que se virar como pode, lutando contra o tempo, as distâncias e o trânsito. Claro que sem perder a postura e continuar com ar elegante e blasé.

Será, sem dúvida, uma semana de muita informação e correria. Já estou aconselhando minha mulher a se preparar fisicamente para essa semana em que, como sempre, sem perder o estilo, ela trabalhará as 24 horas de cada dia.

Parece fácil?  Fácil é a Corrida de São Silvestre embaixo de chuva.