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Copacabana

por Alexandre Freitas — publicado 28/07/2010 16h22, última modificação 28/07/2010 16h22
“Adoro a música brasileira. Esse país sempre me fascinou”, diz Babou, a personagem interpretada por Isabelle Huppert em Copacabana

“Adoro a música brasileira. Esse país sempre me fascinou”, diz Babou, a personagem interpretada por Isabelle Huppert em Copacabana, de Marc Fitoussi. Depois de participar da Semana da Crítica em Cannes, o filme estreou semana passada no circuito francês.

Além de um cartaz publicitário com uma foto do Pão de Açúcar, nenhuma outra imagem do Brasil aparece no filme. Mas ele está lá. No Rio de Janeiro do imaginário francês, com o “Canto de Ossanha” interpretado por Astrud Gilberto, o “Partido Alto” do Chico Buarque, o som de Jorge Ben ou de Marcos Valle.

Curioso assistir a planos aéreos de uma estação balneária em pleno inverno e ouvir um samba. Ainda mais se tratando da costa da Bélgica, onde o verão deve durar umas duas semanas. Mas essa dissonância entre música e imagem flui harmoniosamente. Como os acordes de bossa nova, cheios de bemóis ou sustenidos, que geram um agradável incômodo aos ouvidos atentos. Ou, em uma obra plástica, quando uma assimetria é compensada por um efeito de cor e luz.

No começo do filme, Babou salta da cadeira do pub às primeiras batidas do samba da juke-box. Começa a dançar. As pernas se movem pouco. Os braços, entretanto, não param. O rosto se transfigura. É o samba francês. Diferente do alemão ou do americano. E mais ainda do brasileiro. O público se diverte e ri. Não achei tão engraçado assim. Imagino até que alguns mais pragmáticos (ou chatos) poderiam se sentir incomodados por esse tipo de caricatura. Para mim, pareceu apenas uma questão de sotaque. Sotaque corporal.

O Brasil do imaginário francês de Copacabana percorre todo o filme através da música, mas se concretiza mesmo é quando um numeroso grupo de brasileiros músicos e dançarinos, com seus penachos e sapatos de salto, entram em cena. Atendem amavelmente as expectativas do público da sala. Eles são a atração de uma cafona festa de casamento (desculpem a redundância) e, alguns deles, engraçado, dançavam algo parecido com a dança da personagem de Isabelle Huppert. Acho que são brasileiros que, por terem vivido muito tempo na França, pegaram o sotaque (corporal) francês.

A trilha sonora, de sambas e bossas, ilustra aquilo que se escutou de música brasileira nos anos setenta na França, mesmo que o filme se passe no tempo atual.

A grande atriz francesa brilha, como de hábito, e dessa vez ao lado da filha Lolita Chammah, a Esmeralda, no filme. Mesmo não sendo o mote central de Copacabana, ele acaba representando o fascínio que os franceses têm pelo Brasil e suas imagens sonoras e visuais. Uma simpatia a priori que parece brotar de uma nostalgia de um Rio antigo, mítico e idealizado. É o Brasil francês que se vê em Copacabana.

“O calor e a delicadeza das doces praias do Brasil nunca foram tão belamente evocadas quanto nesse filme”, disse uma crítica francesa.