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Cooperifa comemora 12 anos de atividade

por Sâmia Gabriela Teixeira — publicado 26/10/2013 19h11
O bar do Zé Batidão recebeu cerca de 500 pessoas para celebrar mais um ano de vida do sarau

“Mil desculpas se erramos, às vezes a gente tá errado e não sabe. Mas a gente vai continuar errando porque temos só 12 anos. Ninguém aqui pode ser preso, porque todo mundo aqui é de menor, e a gente ainda vai fazer miséria até chegar aos 18”, dizia o poeta Sérgio Vaz, ao anunciar o sarau de aniversário de 12 anos da Cooperifa, nesta última quarta-feira 23.

Se erraram, o poeta e todos os que trabalham lado a lado pela cultura periférica erraram muito bem, e hoje o movimento cultural, que encontrou no bar do Zé Batidão o local para ser e transformar, é referência de resistência e de espaço formativo para as periferias de São Paulo e do Brasil.

Logo às 20hs, horário definido para iniciar o sarau de aniversário de 12 anos da Cooperifa, o bar já estava completamente lotado. O calor, que do lado de dentro castigava ainda mais, não afugentou ninguém que queria ver de perto a celebração de mais um ano de existência deste verdadeiro quilombo cultural. Jairo Periafricania, Cocão do Versão Popular, Rose, a musa da Cooperifa, os poetas Helber Ladislau, Fábio Boca, Zé Sarmento, Tati Botelho e outras importantes figuras do sarau estiveram presentes.

Dona Edith, a representação materna do sarau, recitou “Literatura das Ruas”, com sua voz forte e vibrante, evocando os “capitães de areia” que, para resistir, criaram o seu “próprio espaço para a morada da poesia”.

Muitos recitaram poesias de autoria própria, outros de grandes poetas. Letras de rap, músicas e sonhos também guiaram a noite. A definição do que é o sarau que movimenta o Capão Redondo, e que há anos acolhe multidões no Zé Batidão, foi muito bem compartilhada pelo produtor Edu Silva: “Sonhei um lugar livre, pra ir, vir, me expressar. Um lugar onde o 'olho no olho' é um contrato impossível de se quebrar. Sonho é sonho, deixa quieto, mas meu sexto sentido me deixa esperto. Esse lugar existe, é de verdade, de gente linda e sagaz. Esse lugar é a Cooperifa, do meu mestre Sérgio Vaz”.

O sarau recebeu cerca de 500 pessoas no Zé Batidão, e graças à transmissão ao vivo pela internet, contou com a participação de pessoas de diversos países, incluindo o Tadeu, antigo frequentador da Cooperifa, que mandou um abraço desde Coimbra, Portugal.

A cantora Izzy Gordon, que deve encerrar a Mostra Cultural, dividindo a programação do próximo domingo com Chico César e Zeca Baleiro, cantou a luta dos negros, dos índios e dos inconfidentes, numa linda versão para “Canto das Três Raças” de Clara Nunes, e “Olhos Coloridos”, de Sandra de Sá, fechando a noite que celebra muitos anos de Cooperifa que ainda estão por vir.

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