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Contas a acertar

por Orlando Margarido — publicado 26/10/2012 12h24, última modificação 26/10/2012 12h24
Gonzaga de Pai pra Filho, que estreia nesta sexta 26 nos cinemas, exalta a limites nem sempre toleráveis o flagrante emocional que se sustentaria pela história, e a música investida de reiteração daquela

Gonzaga de Pai para Filho
Breno Silveira

Finda a trilogia da emoção acoplada à música, ou vice-versa, o diretor Breno Silveira reflete sobre o que haveria de inventário pessoal desde que abriu, em 2005, uma era de êxitos no cinema brasileiro com Dois Filhos de Francisco. Neste e no seguinte, À Beira do Caminho, lançado há pouco, a temática da relação conturbada entre pai e filho se impôs em maior ou menor grau ao herdeiro de exilados políticos que cresceu na Argélia. “Quando voltei, não  entendia meu país”, diz. “A música e o cinema foram a maneira de compreendê-lo.” Mas esse  percurso iniciado a convite de estrelas do sertanejo e depois seguido pela apreciação de Roberto Carlos não era tão evidente quanto em Gonzaga de Pai pra Filho, a partir de sexta 26 nos cinemas.

Faz sete anos que Silveira se debruçou sobre esse outro rei, o do baião, e a inversão de  lançamentos parece coroar suas intenções. O drama exalta a limites nem sempre toleráveis as características dos longas anteriores, como o flagrante emocional que se sustentaria pela história, e a música investida de reiteração daquela. Porque aqui, de novo, a trilha servirá como vínculo imediato entre a plateia e a trama acomodada a um melodrama entre Luiz  Gonzaga pai (o músico Chambinho do Acordeom) e Gonzaguinha filho (Júlio Andrade), no  abandono paterno sofrido por este com a morte da mãe. Requer alguma boa vontade driblar a insistência pelo choro para se chegar ao genuíno, no uso de imagens de arquivo e no acerto de contas que a boas fontes biográficas esclarecem.

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