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Cultura

Calçada da memória

Com que roupa?

por José Geraldo Couto — publicado 25/01/2013 09h38, última modificação 25/01/2013 09h38
De Cotton Club à rainha Maria Antonieta e os mafiosos de O Poderoso Chefão 3, Milena Canonero vestiu meio mundo e ganhou três Oscars por seu trabalho
Milena Canonero

Foto: Vince Bucci/Getty Images/AFP

Dos elegantes jazzistas de Cotton Club à rainha Maria Antonieta, do escroque setecentista Barry Lyndon aos mafiosos de O Poderoso Chefão 3, dos vampiros modernos de Fome de Viver aos gângsteres cartunescos de Dick Tracy, a italiana Milena Canonero, nascida em Turim há 66 anos, vestiu meio mundo.

Milena estudou história da arte e desenho de figurinos em Gênova, Paris e Londres e trabalhou em pequenas produções de teatro e cinema até ser “descoberta”, aos 23 anos, por Stanley Kubrick, que a chamou para conceber os trajes do punk futurista Alex e seus parceiros em Laranja Mecânica (1971). Ela estreou no topo e lá permanece até hoje.

 

 

Ganhou três Oscar – por Barry Lyndon (Kubrick, 1975), Carruagens de Fogo (Hugh Hudson, 1981) e Maria Antonieta (Sofia Coppola, 2006) – e foi indicada outras cinco vezes. Trabalhou só com cineastas de primeiro time: Francis Coppola, Louis Malle, Manoel de Oliveira, Sydney Pollack, Roman Polanski, Warren Beatty, Tony Scott, Barbet Schroeder, Steven Soderbergh, Wes Anderson.

 

Fez também os figurinos de óperas como a Tosca, de Puccini (Metropolitan Opera, 2009), e de tragédias como Helena, de Eurípides (Viena, 2010). Em 2001 ganhou, pelo conjunto da obra, o prêmio máximo do Sindicato dos Figurinistas de Cinema dos EUA, ao qual é filiada.

Para a própria artista, o segredo de tamanho prestígio é simples: trabalhar em íntima conexão com o diretor de cada obra para traduzir no figurino, com o máximo de precisão de detalhes de cor e textura, o caráter profundo dos personagens.

No mais, muito talento, inspiração e transpiração.