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Ciranda de Surpresas

por Redação Carta Capital — publicado 13/04/2012 11h28, última modificação 13/04/2012 11h28
No disco Junjo, a americana Esperanza Spalding surpreende com releitura de Loro, do brasileiro Egberto Gismonti
BFI 154-2 Esperanza Espalding

Em Junjo, Esperanza Spalding interpreta diversos gêneros e encanta em todos eles

por Tárik de Souza

Junjo
Esperanza Spalding
Biscoito Fino

Americana de Portland, no Oregon, Esperanza Spalding começou no violino, mas foi aconselhada por um professor a passar para o contrabaixo.

Com dois meses de instrumento, já se destacava numa banda de veteranos do blues. O célebre Berklee College of Music, de Boston, aceitou-a como aluna, mas aos 20 anos ela já lecionava, e no ano seguinte assustaria a cena do jazz com suas peculiaridades registradas em disco.

Era uma baixista, também cantora, compositora, arranjadora e líder de conjunto. Esta estreia, Junjo, de 2006, finalmente desembarca por aqui com mais música brasileira a bordo. Em 2008, Esperanza, o primeiro disco da baixista lançado no Brasil, surpreendeu por suas releituras em português (com pouco sotaque) de Ponta de Areia (Milton Nascimento/Fernando Brant) e Samba em Prelúdio (Baden Powell/Vinicius de Moraes).

Em Junjo há uma estonteante revisita a Loro, de Egberto Gismonti, tisnada por um ágil vocalise, em meio à ciranda de improvisos ancorada no baixo, com pinceladas do piano de Aruán Ortiz e suporte rítmico do baterista Francisco Mela.

No repertório também entram composições de Esperanza, como a miscigenada faixa-título, coalhada de climas, e a brubeckiana Two Bad. Na junção de seu nome com os dos parceiros, em Perazela, Esperanza tece um diálogo entre vocal e percussão de Mela, e em Perazuán ela sincopa com o pianista Aruán. A baixista arranjadora também se arrisca em temas alheios de sumidades do jazz, como Humpty Dumpty, de Chick Corea, e The Peacocks, de Jimmy Rowles. E passa com louvor em todas as provas.

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