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Cultura

Dos Olhos Meus

Celebrando a vida

por Valéria Almeida — publicado 13/01/2011 16h46, última modificação 17/01/2011 17h46
A fotojornalista Valéria Almeida estreia a coluna "Dos olhos meus" com uma série de imagens do Tambor da Crioula, uma dança típica do Maranhão
Celebrando a vida

A fotojornalista Valéria Almeida estreia a coluna "Dos olhos meus" com uma série de imagens do Tambor da Crioula, uma dança tipica do Maranhão

É com orgulho que faço minha estreia neste site, com a coluna Dos olhos meus. A proposta deste espaço é apresentar imagens, por mim produzidas, de culturas e manifestações populares, retratos, paisagens e projetos autorais e, assim, promover uma discussão em torno da fotografia.

Para começar com o pé direito, escolhi imagens do Tambor de Crioula, uma dança tipicamente maranhense, de origem afro-brasileira, feitas em São Luís. Reconhecida como patrimônio imaterial, a manifestação é uma forma de festejar a vida, desejando fartura e prosperidade aos participantes.

Sem data de apresentação ou local fixo, grupos de homens e mulheres, chamados de coreiros e coreiras, costumam tomar ruas e praças para comemorar nascimentos, batizados, festas de São Benedito e bumba-meu-boi. Com roupas de chitão florido, ou simplesmente coloridas, chapéus e torços na cabeça, além de colares femininos que dão charme à vestimenta, formam rodas, afinam os tambores, aquecendo o couro à beira da fogueira, e começam a brincadeira.

O som ecoa, um solista puxa toadas de improviso que falam de fé, trabalho, amores e recordações. As mulheres giram suas saias e soltam a voz num coro contagiante. De repente, uma coreira vai ao centro da roda, dança diante dos tocadores e saúda os tambores. A feminilidade se expressa no giro da saia, que hipnotiza a todos com seus movimentos coloridos. Então, quando chega a hora, a coreira se coloca diante de outra brincante e a convida para ocupar seu lugar.

Eis que surge o auge da dança. O momento do punga, ou simplesmente umbigada – uma espécie de cumprimento feito através do encontro dos abdomens, onde as mulheres emitem, sem qualquer palavra, seus votos de felicidade àquela que passa a ocupar seu lugar no meio da roda. E assim a festa segue, os coreiros se encantam, as dançantes seduzem e nós celebramos a vida.