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Cartão fidelidade

por Beatriz Mendes — publicado 25/05/2012 16h18, última modificação 25/05/2012 16h30
Artistas aderem a software que promete reunir em um único formato discografias, clipes e sistema para venda e entrada para shows
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Bruno Gouveia diz que a Biquíni Cavadão vai aderir ao software, mas não vai abandonar os cds Foto: Olivio Netto/Vira Comunicação

A popularização da internet se tornou uma ampulheta com contagem regressiva para a morte da indústria fonográfica tradicional. O que antes era gravado, produzido, distribuído e colocado à venda em prateleiras hoje é acessado com um clique.

Há anos o fim do mercado da música é proclamado por conta dos downloads gratuitos, que fizeram a vendagem de discos e DVDs despencarem nos últimos anos. Aos poucos, porém, empresários da música começam a desistir de derrotar a internet para se unirem a ela por meio de anúncios de páginas que veiculam músicas por streaming e parcerias com empresas de telefonia.

Na quinta-feira 24, um novo passo pode ter sido dado para selar a paz entre indústria e cultura do compartilhamento. Foi lançado no Brasil um cartão com entrada USB que promete unir som, imagem e sistema de venda de ingressos para shows num mesmo formato. Chamado Neo Idea, o software atualiza os fãs na medida em que o artista lança um novo trabalho - as músicas podem ser disponibilizadas em partes, sem necessariamente estarem reunidas em novos álbuns. Tudo o que o usuário precisa fazer é plugá-lo em um computador com acesso à internet e visitar a página do artista hospedada no sistema.

Com o cartão, o fã poderá comprar ingressos e entrar em shows a partir de um programa parecido com o sistema "Sem Parar" dos pegágios. A informação da compra fica guardada no pendrive e, ao chegar ao local, é só encostá-lo em um leitor da catraca.

“O Neo Idea pode ser mais uma solução para a indústria musical. É um conteúdo portátil, sincronizado com a nuvem. Toda vez que o artista jogar um novo trabalho na internet, automaticamente o cartão será atualizado”, explica Alcir Abuchaim, CEO do Neo Idea, durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo na quinta-feira.

Para fazer dinheiro com o negócio, Abuchaim diz contar com patrocinadores como a Tim. Ele explica: “Esses anunciantes podem mudar. Por exemplo, se um artista se apresentar em uma cidade do interior do País, comerciantes locais podem anunciar seu negócio”.

Ao adquirir o Neo Idea, o usuário só precisa fornecer três informações: idade, sexo e seu georreferenciamento. “A partir disso o artista consegue ter acesso ao seu público. Ele tem uma ligação direta e instantânea com o fã”, explica Abuchaim.

Para Bruno Gouveia, vocalista da banda Biquíni Cavadão (que aderiu ao novo formato), esta deve ser a principal vantagem de se fazer música por meio de um cartão. “A gente monta o setlist de um show baseado naquilo que nós mesmos acreditamos ser o mais legal. Às vezes a gravadora ou o próprio artista aposta em uma música que não é a predileta dos fãs. Se tivermos acesso a esses dados, poderemos ter uma base mais definida”, afirma.

O músico adianta que não pretende deixar de disponibilizar suas músicas para download. A banda Biquíni Cavadão foi a primeira a ter um site oficial no Brasil. Em 1999, também foi pioneira em divulgar uma canção através da rede. Suas músicas podem ser baixadas na internet de modo legal. “O Neo Idea vai ser um novo canal de divulgação. É claro que ainda produziremos CDs, LPs, fitas cassetes, o que for”, diz.

Bruno também destaca o maior acesso ao trabalho da banda. “Além de toda a discografia e de nossos dvds, também colocamos no Neo Idea uma coletânea com nossos maiores sucessos. O que acontece é que, às vezes, depois que você lança uma música, ela vai para a rádio. Aí, você faz um remix, uma versão acústica, e o fã não tem isso no disco. Dessa forma, ele vai poder ter”, prevê.

No novo formato, as músicas são disponibilizadas em mp3, com tamanho de 320kbps, que apresenta menor compressão – e, portanto, maior qualidade. Os vídeos, por sua vez, poderão ser assistidos em alta definição. A memória do cartão varia entre 2 e 120 gb. “As imagens serão as melhores possíveis e com tamanho duas vezes menor”, afirma Abuchaim.

Quanto aos preços, vai depender do artista. “É ele quem definirá o valor do trabalho. Assim como há CDs de dez reais e outros de 20 reais”, exemplifica o CEO.

A empresa trabalha na concepção do software há dois anos e já fechou contrato com artistas como Gusttavo Lima, Maria Cecília e Rodolfo, Biquíni Cavadão, Lucenzo - o autor do hit Danza Kuduro -, entre outros.

Empresário de Lucenzo, o alemão Dieter Wiesner, que trabalhou com Michael Jackson de 2002 até o ano de sua morte, veio ao Brasil para participar do lançamento do produto. Sobre a possibilidade de a discografia de Michael Jackson ser vendida dessa forma, Wiesner afirmou: “vamos ver algo especial”.