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Cultura

Calçada da Memória

Carisma fora de esquadro

por José Geraldo Couto — publicado 23/07/2011 10h53, última modificação 24/07/2011 18h40
Filho do escultor Paul Belmondo, Jean-Paul Belmondo tornou-se uma estrela e um ícone da nouvelle vague da noite para o dia. Por José Geraldo Couto. Foto: Courtesy Everett Collection
Carisma fora de esquadro

Filho do escultor Paul Belmondo, Jean-Paul Belmondo tornou-se uma estrela e um ícone da nouvelle vague da noite para o dia. Por José Geraldo Couto. Foto: Courtesy Everett Collection

Jean-Paul Belmondo estreou nos palcos aos 17 anos, no improvável papel de príncipe de A Bela Adormecida. Filho do escultor Paul Belmondo, ele passava por uma adolescência turbulenta, marcada por problemas na escola e pela prática amadora do boxe e do futebol.

Na tentativa de educar seus instintos, cursou o Conservatório Superior de Arte Dramática e deu os primeiros passos do cinema. Já havia atuado em filmes de Carné (Os Trapaceiros), Chabrol (Quem Matou Leda?) e Sautet (Como Fera Encurralada), quando se tornou uma estrela da noite para o dia ao protagonizar Acossado (1960), de Jean-Luc Godard.

Tornou-se um ícone da nouvelle vague e um dos mais requisitados atores europeus. No espaço de um ano, trabalhou com Alberto Lattuada, Peter Brook, Mauro Bolognini, Vittorio De Sica, Philippe De Broca e Jean-Pierre Melville. Tinha o mundo a seus pés, graças a um carisma que desafiava os padrões habituais de beleza e a um estilo de atuação que combinava energia anárquica e fragilidade, tudo isso temperado pela autoironia.

Em meados dos anos 60, aparentemente cansado de expandir suas possibilidades dramáticas, Belmondo voltou-se para o cinema comercial, estrelando com grande êxito comédias e filmes de ação. Criou também sua própria produtora.

Ganhou em 1988 o César, principal prêmio do cinema francês, por sua atuação em Itinerário de um Aventureiro (Claude Lelouch), mas recusou a estatueta porque seu autor, César Baldaccini, uma vez falara mal de seu pai, escultor rival. Na ativa aos 78 anos, Belmondo só recusa os filmes de ação: “Não quero ser o vovô voador do cinema francês”.

DVDs

Léon Morin, o Padre (1961)

Durante a ocupação alemã da França, na Segunda Guerra Mundial, uma viúva (Emmanuelle Riva), apesar de ateia, decide batizar sua filha meio-judia para protegê-la da perseguição nazista. Ela procura o padre Léon Marin (Belmondo), com quem discute temas ligados à religião. Sensível drama político e moral de Jean-Pierre Melville.

Pierrot le Fou (1965)

Pierrot (Belmondo) é demitido da tevê onde trabalha e decide abandonar sua vida burguesa, viajando de Paris até o Mediterrâneo com a baby-sitter Marianne (Anna Karina), perseguida por gângsteres argelinos. Road movie policial e poético, repleto de referências literárias e cinematográficas, é uma das obras-primas de Godard.

Borsalino (1970)

Marselha, 1930. François Capella (Belmondo) e Roch Siffredi (Alain Delon) são dois pequenos gângsteres que disputam a mesma mulher (Catherine Rouvel) e

trabalham para a máfia local. Um dia decidem juntar forças e atuar por conta própria, desafiando os chefões. Policial pitoresco de Jacques Deray valorizado pelo par central.