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Cansado da guerra

por Rosane Pavam publicado 09/05/2011 12h33, última modificação 09/05/2011 12h34
A grandeza do novo álbum de Paul Simon, "So Beautiful or So What", está em não esquecer a importância musical e torná-la, a seu modo, eterna como a divindade religiosa comentada em dez faixas bem-humoradas

Paul simon construiu para si e seus ouvintes um dos últimos paraísos do pop, no qual a música não se esquece de avançar um passo. As palavras do compositor tampouco temem a poesia, bela e ironicamente professada. A grandeza do novo So Beautiful or So What está em não esquecer a importância musical e torná-la, a seu modo, eterna como a divindade religiosa comentada em dez faixas bem-humoradas. Simon está cansado da guerra, das mentiras dos governantes, mesmo da imagem que temos de Deus, mas não trata seu fastio com obviedade, antes com boa arte.

E não se trata, igualmente, de arte simples, embora seja a simplicidade um mandamento pop do qual ele jamais se afaste. Na companhia de Phil Ramone, Simon produz um ambiente complexo onde rock, baladas e pequenas peças de inspiração sinfônica convivem com várias sonoridades, daquele recorte de um canto gospel dos anos 30 e do sermão irônico de um reverendo sobre a proximidade natalina até a presença sutil de flautas, gaitas e cordas exóticas a embalar um perfeito violão.

Nesse concerto de comentários sobre o que nos torna humanos, especialmente a morte, ele condena a guerra a apressar a partida dos jovens, lembra dos sem-teto privados do melhor e ainda não parece refeito da morte de Martin Luther King. Baladas como Love and Hard Times ou uma peça instrumental ao violão, Amulet, impressionam pela difícil delicadeza. O músico Elvis Costello fala na apresentação de “um homem com total controle sobre seu talento, olhando com clareza para a comédia e a beleza da vida”. Quando se pensa no Simon desse disco, talvez não sejam necessárias palavras mais.

SO BEAUTIFUL OR SO WHAT
Paul Simon (Universal)