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Calçada da Memória

por José Geraldo Couto — publicado 19/09/2011 09h52, última modificação 19/09/2011 15h49
Diretor de Casablanca, o húngaro Mihály Kertész, que usava o nome "americano" de Michael Curtiz, era rígido, inflexível e falava um péssimo inglês. Por José Geraldo Couto

Você talvez não saiba quem foi o húngaro Mihály Kertész, mas com certeza viu pelo menos um filme dele. Sob o nome americanizado para Michael Curtiz (1886-1962), ele foi um dos mais prolíficos e bem-sucedidos cineastas de Hollywood. É dele, só para ficar num exemplo, um dos clássicos mais emblemáticos dos anos 40, o drama romântico de guerra Casablanca (1942).

Pioneiro do cinema austro-húngaro, Curtiz já tinha feito mais de 60 filmes em seu país, na Alemanha e na Inglaterra quando, em 1926, os irmãos Warner o levaram a Hollywood com a ideia de transformá-lo no Cecil B. DeMille do estúdio. Mas ele fez mais que isso. Pau para toda obra, encarava as mais diversas empreitadas em qualquer gênero.

Quando deixou a Warner, em 1954, tinha realizado para o estúdio 74 longas, entre eles marcantes filmes de gângster (Anjos de Cara Suja), de capa e espada (As Aventuras de Robin Hood), de pirata (Capitão Blood), épicos históricos (A Carga da Brigada Ligeira), comédias (Nossa Vida com Papai), dramas noir (Alma em Suplício), musicais (A Canção da Vitória).

Adorado pelos patrões, pois seguia estritamente o roteiro aprovado e filmava dentro do cronograma e do orçamento previstos, era visto como autoritário e inflexível pelos atores e técnicos. À parte isso, falava um péssimo inglês. No set da Brigada Ligeira, desejando cavalos não montados, bradou: “Tragam-me cavalos vazios”, frase que acabou virando título das memórias de um dos atores, David Niven.

Seus deslizes viraram folclore, como a bronca dada num contínuo: “Na próxima vez que precisar de um idiota para fazer alguma coisa, vou eu mesmo”.

Capitão Blood (1935)

No século XVII, médico inglês (Errol Flynn) acusado de traição ao rei é mandado como escravo à Jamaica e comprado pela filha (Olivia de Havilland) do governador. Ele foge e se converte em pirata do Caribe. Um dos 12 filmes que Curtiz fez com Flynn, com quem brigou aos socos no set de O Intrépido General Custer (1941).

Anjos de Cara Suja (1938)

Num bairro barra-pesada de Nova York, um padre (Pat O’Brien) tenta conter a influência perniciosa do gângster Rock Sullivan (James Cagney), seu amigo de infância, sobre a garotada local. Misto de policial e drama social traz ainda, no papel de um advogado corrupto, Humphrey Bogart, que fez oito filmes com Curtiz.

Casablanca (1942)

Durante a Segunda Guerra Mundial, o americano Rick (Bogart) reencontra em seu bar e cassino, em Casablanca (Marrocos), um grande amor do passado (Ingrid Bergman), agora casada com um líder antifascista tcheco. As intrigas do amor e da guerra se embaralham neste que é um clássico absoluto do cinema romântico.