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Cultura

O mundo num rosto

Calçada da Memória

por José Geraldo Couto — publicado 21/08/2011 09h51, última modificação 06/06/2015 18h16
O inglês James Mason aceitava quase todos os convites para atuar em filmes de Hollywood, ao todo foram 150, só não concordava em usar maquiagem
Calçada da Memória

O inglês James Mason aceitava quase todos os convites para atuar em filmes de Hollywood, ao todo foram 150, só não concordava em usar maquiagem

Quando estudava arquitetura em Cambridge, o inglês James Mason (1909-84) tentou em vão um lugar em uma peça de teatro da faculdade. O diretor do espetáculo, seu colega Alistair Cooke, que se tornaria um famoso jornalista e locutor nos Estados Unidos, deu-lhe um conselho: “Acabe seu curso e esqueça o ofício de ator”.

Por sorte, Mason não fez nem uma coisa nem outra. Largou o curso e virou ator de companhias menores de teatro até ingressar no célebre Old Vic, de Londres. No cinema foi entrando aos poucos.

Tornou-se uma estrela ao encarnar, em A Noite Tem Olhos (Leslie Arliss, 1943), um ex-pianista traumatizado pela Guerra Civil Espanhola. O prestígio cresceu ainda mais quando Mason protagonizou O Condenado (1947), de Carol Reed. No ano seguinte, foi a Hollywood para ficar.

Ator sóbrio e sutil, de voz melíflua (tida como uma das mais belas do cinema) e amplo registro dramático, Mason passou a ser requisitado para os mais diversos papéis. Alguns dos mais marcantes: o pérfido traidor  de O Prisioneiro de Zenda (Richard Thorpe, 1952), o ator decadente e alcoólatra de Nasce uma Estrela (George Cukor, 1954), o frio espião de Intriga Internacional (Hitchcock, 1959) e o professor enlouquecido por  uma ninfeta em Lolita (Kubrick, 1962).

“O público nunca sabe o que esperar de minha performance de um filme para outro. Sou um investimento de risco”, declarou. Não foram poucos os que “arriscaram”: atuou em 150 filmes, muitos deles indignos de seu talento, pois aceitava quase todos os papéis. Só recusava usar maquiagem, pois sabia que as minúcias de seu rosto expressavam toda a variedade do drama humano.

Nasce uma Estrela (1954)

Ator famoso (Mason) ajuda atriz iniciante (Judy Garland) a deslanchar na carreira. Apaixona-se por ela e a relação se torna mais e mais turbulenta à medida que ela sobe e ele se afunda no alcoolismo. Segunda de três versões da mesma história (houve outras em 1937 e 1976), aqui tocada com a classe habitual de George Cukor.

Intriga Internacional (1959)

Um executivo de publicidade (Cary Grant) é confundido com um agente da CIA e perseguido América afora por uma rede de espiões liderada pelo maquiavélico Philip Vandamm (Mason). Um dos mais eletrizantes suspenses de Hitchcock, com cenas célebres como a do herói ameaçado pelos voos rasantes de um avião.

Lolita (1962)

Humbert Humbert (Mason), professor de meia-idade, chega  a uma cidade do interior e aluga um quarto na casa de uma viúva (Shelley Winters) para se aproximar da filha de 14 anos desta, Lolita (Sue Lyon), por quem se apaixona perdidamente. O desequilíbrio psíquico do professor é um grande momento do cinema de Kubrick.