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Soberania inconteste

Calçada da Memória

por José Geraldo Couto — publicado 19/08/2011 13h02, última modificação 19/08/2011 13h06
Vanessa Redgrave, filha, neta, irmã, esposa e mãe de atores, levou ao ápice a arte de representar. Por José Geraldo Couto
Calçada da Memória

Vanessa Redgrave, filha, neta, irmã, esposa e mãe de atores, levou ao ápice a arte de representar. Por José Geraldo Couto. Foto:Kobal/AFP

“Vanessa Redgrave está acima de todas as atrizes. Vê-la e ouvi-la é sempre uma emoção.” Quem disse isso foi ninguém menos que Katharine Hepburn, que trabalhou com ela em As Troianas (Cacoyannis, 1971).

Filha, neta, irmã, esposa e mãe de atores, legítima herdeira da tradição teatral britânica, essa mulher magra e imponente, que ingressou aos 22 anos na Royal Shakespeare Company, levou ao ápice a arte de representar.

Explodiu no cinema em meados dos anos 1960. Em poucos anos mostrou
sua imensa gama de recursos. Não havia papel que ela não representasse de modo memorável: burguesa moderna e ambígua em Blow-up (Antonioni, 1966), a bailarina Isadora Duncan em Isadora (Karel Reisz, 1968), a rainha trágica da Escócia em Mary Stuart (Charles Jarrot, 1971), madre Joana dos Anjos em
Os Demônios (Ken Russell, 1971), militante antifascista em Julia (Zinnemann, 1977).

Eu me entrego aos meus papéis como a um amante”, declarou Vanessa, que foi casada com o diretor Tony Richardson antes de se unir ao ator Franco Nero, seu marido até hoje.

A sutileza de seu estilo, que valoriza cada olhar e cada sílaba, contrasta com sua veemente atuação política. Antiamericana e ativista da causa palestina, foi do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, mas em 2004 lançou seu próprio partido, o Paz e Progresso.

Premiada duas vezes em Cannes (por Deliciosas Loucuras de Amor
e Isadora), ganhou também a “tríplice coroa”: o Oscar (por Julia), o Tony e o Emmy. Aos 74 anos, logo aparecerá nas telas como rainha Elizabeth I, na produção histórica Anonymous, de Roland Emmerich. Nenhum papel lhe cai tão bem.

As Troianas (1971)

Vanessa Redgrave é Andrômaca, Katharine Hepburn é Hécuba, Geneviève Bujold é Cassandra e Irene Papas é Helena nesta adaptação da tragédia de Eurípedes sobre as troianas às voltas com a cidade em ruínas depois da vitória dos gregos. O cipriota Michael Cacoyannis tira bom proveito do texto clássico e do elenco fabuloso.

Retorno a Howards End (1992)

Inglaterra rural, início do século XX. A matriarca dos Wilcox deixa
a propriedade mais tradicional da família, Howards End, de herança para a emancipada Margaret Schlegel (Emma Thompson). Drama baseado em romance de E. M. Forster e conduzido com a competência um tanto acadêmica de James Ivory.

A Informante (2010)

Drama baseado na história real de Kathryn Bolkovac, policial dos EUA mandada à Bósnia para participar das forças de paz depois da Guerra dos Bálcãs. Chegando lá, ela descobre um bocado de corrupção e violência sexual que conta com a conivência de agentes da ONU. Vanessa Redgrave faz uma advogada de direitos humanos.