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Vendetta extralírica no Municipal de SP

por Alvaro Machado — publicado 11/02/2016 05h36
Em meio à crise, Theatro anuncia temporada lírica, musical e de dança
La Bohéme

La Bohème, apresentada em 2013

O Municipal paulistano anuncia temporada lírica, musical e de dança 2016 em meio a crise inédita. Recém-demitido, o diretor-administrativo José Carlos Herencia foi acusado de desvio de milhões, o que teria provocado o cancelamento de pelo menos quatro atrações.

Como em um libreto verdiano, Herencia negou e acusou o capo maestro John Neschling de vendetta. Em meados de dezembro, Neschling subiu ao pódio para obter da Sinfônica Municipal interpretação correta da difícil Quinta de Mahler. “A orquestra está com o mesmo nível da Osesp”, afirmou Neschling, ele próprio o reformador daquele coletivo, antes de briga com o governo estadual.

Pelos metais com frequência inseguros, a Municipal não alcança a congênere, mas transmite o calor que falta à Osesp. Os salários dos principais regentes-titulares paulistanos ainda obedecem a patamares europeus.

Mesmo com seu entorno convertido em camelódromo e ponto de tráfico, o Municipal goza de popularidade inédita, lotado de público ávido pela selfie na escadaria de mármore. De outro lado, o maestro precisa interromper sinfonias para requisitar silêncio.

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El Amor Brujo, com o grupo catalão La Fura dels Baus

Apesar de bons programas distribuídos de graça, não seria demais a locução de conselhos como evitar aplaudir entre movimentos. Os corpos estáveis da casa começaram a apresentar-se em praças e bairros, o que poderá formar plateias.

À parte os desfalques, o ano enfatiza o Balé da Cidade, com quatro temporadas. A reprise de uma Bohème vista em 2013 é medida de economia interessante, pelo bom gosto da encenação. Para os aficionados do moderno, há a rara Lady Macbeth do Distrito Mtsensk, de Shostakovich, a faustosa Electra, de Richard Strauss, e El Amor Brujo, de Manuel de Falla, com o grupo catalão Fura dels Baus.

O Festival Beethoven, com Sinfônica e coros, tem opções de assinatura isolada ou casada a outras atrações. Dezembro será tempo de Carlos Gomes, com a Fosca, mais cara produção da temporada.

*Publicado originalmente na edição 886 de CartaCapital, com o título "Vendetta extralírica" 

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