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"Ponto Zero" vigora com aspecto insólito dentro da produção nacional

por Orlando Margarido — publicado 02/06/2016 12h31
O filme do gaúcho José Pedro Goulart é um corpo vigoroso tão estranho quanto raro
Amanda Copstein
Ponto-Zero

O estreante Sandro Aliprandini, que interpreta o protagonista

Nas duas partes de Ponto Zero, o gaúcho José Pedro Goulart atesta suas referências cinéfilas. A cena inicial de um astronauta no espaço se fechará mais tarde com o mergulho da criança na piscina.

Mas reverenciar Terrence Malick também serve ao acerto de contas, que se dará após jornada noturna de pesadelo para o adolescente no segundo movimento, aparentado a Depois de Horas, de Martin Scorsese. Está entre os dois atos o mais significativo na ficção de estreia do realizador de curtas-metragens e publicidade, em cartaz a partir de quinta 26.

O filme é um corpo vigoroso tão estranho quanto raro na produção nacional. Vem a calhar a citação de início, pois Ênio (o ótimo estreante Sandro Aliprandini, na foto) vaga, solitário e introvertido, por um espaço cotidiano esfacelado. O pai rejeita a família e a mãe, desestruturada, apega-se ao filho na tentativa de recompor a harmonia. Crescer e amadurecer ali exige provação dolorosa. Goulart não esquece que a técnica, bem empregada, pode retratar de modo impressionante as emoções.

Ponto Zero. José Pedro Goulart

 

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