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Palhaçaria neles

por Alvaro Machado — publicado 09/08/2016 04h30
Voluntários aprontam circo social em regiões de conflito
Leopoldo Silva/Pallassos en Rebeldía
Palhaços

O grupo Pallassos en Rebeldía atua em 2015 entre os krahô, no Tocantins

Eles entendem o riso como arma na guerra contra o poder e a cobiça sem limites, como ensinam os hotxuá (pajés cômicos) da etnia krahô, no Tocantins, visitada pelos atores, músicos e clowns de Pallasos en Rebeldía em 2015.

A associação cultural internacional foi criada em 2004 pela cooperativa Culturactiva, na Galícia espanhola, e conta hoje com mais de 500 artistas em dez países, a atuar em zonas de conflito, junto a movimentos sociais e a povos e etnias ameaçados.

Essa arte cênica de resistência e sua complicada logística – já vista entre os neozapatistas do México e comunidades bombardeadas da Palestina – é paga com doações dos próprios integrantes, retiradas de suas atividades profissionais. 

O braço brasileiro da rede tornada expoente do chamado “circo social”, político e solidário foi criado em 2012 para ações na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e reúne palhaços e músicos voluntários de vários estados, além de Espanha.

Até o fim deste mês, 60 deles cumprem o percurso Festiclown pela Terra, iniciado em julho, em meio a protestos pela retomada das terras demarcadas dos índios cariri-xocó, em Alagoas, expulsos por barragem no Rio São Francisco e por grandes fazendeiros.

Pallassos en Rebeldía

Festiclown pela terra - Em RS, MS e SC. Até 27 de agosto. festiclownpelaterra.org 

Até a quinta 11 atuam no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul, com oficinas de palhaçaria em Viamão e apresentações no Assentamento Farroupilha (Encruzilhada) e no Acampamento Tomás Balduíno (Charqueadas).

De 15 a 22 juntam-se aos guarani-caiová de Mato Grosso do Sul (Campo Grande). E nos dias 26 e 27, aos guarani de Santa Catarina (Palhoça), como detalhado em festiclownpelaterra.org

Entre os integrantes desta nova Caravana Brancaleone, a trocar a Guerra Santa pela luta social, o espanhol Ivan Prado, porta-voz internacional do grupo, lembra que “uma humanidade sem os povos originários é uma humanidade cinza e triste”, enquanto a paulista Lígia Azevedo enfatiza “as tradições agregadoras do circo em torno de dinâmicas de crítica social e de terapêuticas de coesão para situações de vulnerabilidade”. 

Palhaços

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