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Cultura

Exposição

Os galhos vãos

por Rosane Pavam publicado 09/09/2016 04h54
Exposição "Calder e a Arte Brasileira" traz as invenções neoconcretas do artista
2016 Calder Foundation, New York-AUTVIS, Brasil, 2016
Calder

A obra "Brasília", em que Calder aponta, nas bolas, os poderes

Alexander Calder (1898-1976) amava o Brasil. Conhecera-o, em primeiro lugar, porque o Museu de Arte de São Paulo decidira expor sua obra em 1948. E a bienal internacional abrira-lhe um grande espaço de exibição, em 1953. Quando ele vinha por aqui, contudo, não parecia estar somente a trabalho.

Alguma coisa havia nos brasileiros, como no amigo e crítico Mário Pedrosa, a completar sua alma de artista do movimento. Apaixonou-se por samba. E tentou, à moda de Portinari, evocar o sol ardente, em telas a óleo. Mas Calder principalmente armou coisas. Desenhou-as no espaço, desejoso de emular a natureza, como se poderá ver na exposição Calder e a Arte Brasileira, sob curadoria de Luiz Camillo Osorio, que traz a continuação de suas invenções entre os neoconcretos e cinéticos locais, Waltércio Caldas, Abraham Palatnik.

O cair da chuva, as folhas ameaçadas pelo outono, os troncos descarnados. É isto que o artista parece evocar em três dezenas de obras, mais da metade delas vinda de museus no exterior, por três andares do Itaú Cultural. Uma pena que estejam estáticas, por exigências de conservação. Como entender o que ele movimentava em sua arte, então, exceto se formos capazes de imaginar? Quando descreveu Brasília, o fez em formato de árvore, os galhos a apontar os poderes, transformados em bolas vermelhas e brancas, vãs.

Calder e a arte brasileira. Itaú Cultural, São Paulo. Até 23 de outubro