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Cultura

Festival de Tiradentes

Ordem natural

por Orlando Margarido — publicado 03/02/2016 22h17, última modificação 12/02/2016 09h42
O lugar da memória no cinema elaborado de Andrea Tonacci
Paulo Gracindo

Títulos como Bang Bang e Blá Blá Blá, com Paulo Gracindo no elenco são motivos de reflexão e estudos acadêmicos

Andrea Tonacci sabe o lugar que ocupa no cinema brasileiro e, mais importante, aquele que quer ocupar. “Não me interessa fazer o jogo do mercado, de determinada tendência da produção. Faço os filmes de acordo com uma necessidade e coerência de desejos que me impõem um preço.”

Seu pensamento exposto em um debate durante a 19ª Mostra Tiradentes, onde foi homenageado, parece até modesto e evasivo para quem assina uma obra pequena e autoral. Mas títulos como Bang Bang e Blá Blá Blá  (com Paulo Gracindo no elenco, foto) são motivo de reflexão ainda hoje pela crítica e alvo de estudos acadêmicos.

Apesar da aparência de inspiração casual, os filmes têm elaboração nem sempre evidente. “Não busco com obsessão um tema ou material com o qual trabalhar. Deixo que algo me toque.”

O diretor contou de que modo surgiu a cena mais emblemática de Serras da Desordem (2006), espécie de pedra fundadora de uma nova condução de documentário. O momento é referencial à fusão do registro documental e de ficção, quando índios, mimetizados à floresta, encaram a câmera.

Embora dramatizada, a sequência se dilui na trajetória entre real e reconstituída de um indígena no ambiente de civilização. O realizador romano chegado criança ao Brasil caminhava pela  montanha quando notou gotas d’água numa rocha.

Veio a indicação da natureza de um local que lhe seria recorrente à memória no filme lançado em 2015, Já Visto Jamais Visto, em que recupera trechos de gravações caseiras ou nunca usados. “A memória sempre esteve presente em meus filmes e não acredito que isso possa ser considerado simplista. É o que nos move.”