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Musical

Obra de Jorge Amado ganha versão com enfoque na ascensão feminina

por Rosane Pavam publicado 24/06/2016 15h28
Ancorado no texto de Adriana Falcão, o diretor João Falcão rememora Gabriela, Cravo e Canela com originalidade
Roberto Setton
Gabriela

Daniela Blois e Danilo Dal Farra, graça com sotaque genuíno

O segundo ato, melhor que o primeiro. E alguns números excepcionais, conduzidos por duas dezenas de cantores-intérpretes e cinco instrumentistas, afinam a invenção. Está armada uma superprodução musical com sotaque genuíno.

Ancorado no texto de Adriana Falcão, o diretor João Falcão rememora Gabriela, Cravo e Canela com originalidade. Protagonista, Daniela Blois tem a voz do sonho, aliada de seu tipo físico brejeiro, sem intenção de voluptuosidade. Seu Nacib, por Danilo Dal Farra, alcança um difícil tom humorístico. O musical vive da graça, até mesmo quando o roteiro de reviravoltas não parece buscar explicações, dependente que é de um conhecimento prévio da história, assemelhada à célebre adaptação para a tevê, de 1975.

Há belas interpretações, como a Malvina de Ingrid Gaigher ou a inventiva personalidade narradora de Tuísca, por Eliane Carmo e Mauricio Tizumba. Duplas cômicas ampliam os comentários em torno da história da jovem sem-terra, deslocada socialmente, que acabou ao lado de um turco pequeno-burguês ingênuo e bom. 

Gabriela. João Falcão. Teatro Cetip, São Paulo. Até 7 de agosto

Nesta versão da obra de Jorge Amado, a situação central parece ser a da ascensão feminina em meio à seca e ao preconceito, explorados pelo coronelismo. E a música brasileira surge como grande personagem. A montagem recorta e cola canções de inúmeros compositores, como Pixinguinha, Dorival Caymmi, Arnaldo Antunes ou Raul Seixas, de modo a fazer com que tenham nascido para Gabriela cantar. 

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