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O blues sem ortodoxia de Eric Clapton

por Tárik de Souza — publicado 03/08/2016 03h51
Após montar seus próprios grupos, Clapton seguiu solo, entronizado como divindade da guitarra
André Maceira
Eric Clapton

Sob a ironia do novo título, Eu Ainda Faço, e pintura da capa de Sir Peter Blake, ele se reencontra com o produtor do êxito anterior, Glyn Johns

Inglês de Ripley, Surrey, Eric Clapton iniciou-se na música decalcando os velhos mestres do blues americano Blind Lemmon Jefferson e Son House. Logo era escalado pelas bandas The Roosters, Yardbirds e Bluesbrakers, de John Mayall, numa época em que as águas lamacentas do Rio Mississippi pareciam desaguar no Tâmisa londrino. Garotos ingleses como Clapton, o beatle Paul McCartney, o stone Keith Richards e Jimmy Page, do Led Zeppelin, repescaram precursores do outro lado do oceano, como Muddy Waters, John Lee Hooker, Howlin Wolf, Willie Dixon e B.B. King, alguns deles segregados aos race records, num mercado pautado pelos ídolos brancos. 

Após montar seus próprios grupos (Cream, Blind Faith, Derek and The Dominos), Clapton seguiu solo, entronizado como divindade da guitarra. Galgou as paradas em 1977 com Slowhand, disco nomeado pelo elogio de uma de suas habilidades, o toque pausado, sem o excesso de velocidade de tantos pretensos rivais.

I Still Do. Eric Clapton. Bushbranch Records/Universal

Sob a ironia do novo título, Eu Ainda Faço, e pintura da capa de Sir Peter Blake (de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles), ele se reencontra com o produtor do êxito anterior, Glyn Johns. Revisita a cena do blues, mas sem a ortodoxia de From the Cradle (Do Berço), de 1994.

Se há o inescapável fundador do gênero, Robert Johnson (Stones in My Passway), devidamente flambado por vocal e guitarra estertorados, e o embalador I’ll Be All Right, de domínio público, também entram dois temas sinuosos do ídolo do solista, JJ Cale (Can’t Let You Do e Somebody’s Knockin’), celebrados por ele em The Breeze (2014).

Um compassado Bob Dylan (I Dreamed I Saw St. Augustine) contracena com o tempero percussivo caribenho da autoral I Catch the Blues, em que Clapton fatia os limites entre reverência e devoção

*Reportagem publicada originalmente na edição 912 de CartaCapital, com o título "Blues sem ortodoxia". Assine CartaCapital.

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