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O ameaçador papa de Sorrentino

por Orlando Margarido — publicado 23/09/2016 05h21
"O jovem papa", série de Paolo Sorrentino, tem Jude Law e trata do futuro da Igreja Católica
Gianni Fiorito
Jude-Law

Pio XIII interpretado pelo ator Jude Law

É significativo que Paolo Sorrentino tenha escolhido a designação papal Pio para o protagonista de seu O Jovem Papa, série de tevê em fase de finalização, cujos dois primeiros capítulos foram exibidos no 73° Festival de Veneza.

Cabem a essa dinastia alguns dos líderes mais conservadores do Vaticano. Pio IX era chamado pelos italianos de o papa do “não”, e Pio XII, o papa de Hitler, alusão ao seu silêncio perante o Holocausto. Na conta de Sorrentino, Pio XIII (Jude Law, foto), o primeiro americano a alcançar o pontificado, pode ser uma ameaça por vir após um representante liberal como o argentino Francisco. Para o diretor, a permanência dessa liberalidade é ilusória.

A atitude papal cabe mais à trama cínica e ao jogo político propostos pelo realizador. O pontífice Lenny Belardo acolhe a noção americana do self-made man para chegar ali como o mais midiático e hábil manipulador das intrigas palacianas da sede romana.

Quem pensou em House of Cards terá motivos para confirmar a aproximação. A semelhança dá-se sobretudo na maneira arrogante e sardônica com a qual Pio XIII trata os inimigos, entre os quais o cardeal interpretado pelo ótimo Silvio Orlando.

O Jovem PapaPaolo Sorrentino

 

*Publicado originalmente na edição 918 de CartaCapital, com o título "A grande eminência".  Assine CartaCapital.