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Fronteiras deglutidas

por Tárik de Souza — publicado 18/05/2016 04h36
Na mistura entre acordeom e violino, os músicos Mestrinho e Nicolas Krassik se complementam
Reprodução
Nicolas-e-Mestrinho

O violinista Nicolas Krassik e o acordeonista sergipano Mestrinho

Nascido na periferia de Paris, formado em música erudita pelo Conservatoire National de Region d’Aubervilliers-la Courneuve e em jazz pelo Centre de Formation Musicale, o violinista Nicolas Krassik, que tocou com o pianista Michel Petrucciani e o violinista Didier Lockwood, ancorou na Lapa carioca. Numa viagem ao país, em 2001, esbaldou-se numa roda de choro no bar Semente local, nos meandros de Um a Zero, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, ao lado do violonista Yamandu Costa.

Com ele, e outros convidados como João Bosco e Beth Carvalho, Krassik debutaria aqui no sintomático Na Lapa, em 2004. Além do choro encantou-se pela música nordestina, condimento também de álbuns seguintes como Caçuá (2006), Os Cordestinos (2008) e Nordeste de Paris (2014). No grupo Fé na Festa, acompanhante de Gilberto Gil, conheceu o acordeonista sergipano Edivaldo Junior Alves de Oliveira, o Mestrinho, e a dupla virou duo no Festival de Jazz de Paraty, no ano passado.  “Os timbres se misturam e complementam, o acordeom traz um registro grave que o violino não tem”, comparou Krassik no texto de apresentação.

Mestrinho & Nicolas Krassik. Biscoito Fino

Aliados na seara nordestina como as populares sanfona e rabeca, os dois transitam por hibridismos como o coruscante choro forró de Dominguinhos Nilopolitano. Também vadeiam no coco xaxado de resfôlegos entrançados Feira de Mangaio (Sivuca/Glorinha Gadelha) e em Cordestinos, de Krassik, próximo ao xote, crivado de pizzicatos. Dois chorões de estirpe, Garoto (Desvairada) e Jacob do Bandolim (Diabinho Maluco), fornecem mais temas de encadeamento veloz. Há também o lirismo etéreo de Villa Lobos (Melodia Sentimental) e do próprio Mestrinho (Em Minha Alma) mais o valseio remansoso de João e Maria, de Chico Buarque e Sivuca, nesta saudável deglutição de fronteiras estéticas. 

 

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