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Flamenco à brasileira e outros espetáculos imperdíveis

por Redação — publicado 25/02/2016 02h35
Dança ao som de Jobim e Caymmi, Ópera na Tela e a companhia Cabaré Falocrático marcam boa temporada nos palcos
Flamenco

Ale Kalaf, bailarina brasileira com formação em flamenco, balé clássico e dança contemporânea

Sobre o tablado branco decorado com motivos de azulejaria, a mulher toda de negro movimenta o xale de modo a fazer as longas franjas por vezes se assemelhar ao bater das asas de uma ave. Ela é Ale Kalaf, bailarina brasileira com formação em flamenco, balé clássico e dança contemporânea. No palco encarna a paixão que a levou, em 2001, a criar o Grupo Luceros Arte Flamenco, dedicado ao estudo da movimentação da dança espanhola em contato com a música brasileira. 

A voz marcante a acompanhar a batida forte do salto da bailarina no chão é de Irene Atienza, cantora, compositora e pianista. Circundada por quatro músicos, a dupla apresenta o espetáculo Con Alma.

Com repertório que mescla clássicos de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, Insensatez, Dorival Caymmi, O Bem do Mar, Dominguinhos e Anastácia, Contrato de Separação, a música de Francisco Canado e Luis Cesar Amadori, Quisiera Amarte Menos, e composições de Atienza, Del Mismo Mar, Sinais, Grãos de Sal, o espetáculo Con Alma é uma feliz união entre uma brasileira apaixonada pela Espanha e uma espanhola integrada aos ritmos do Brasil. (Ana Ferraz)

Galeria Olido, até 28 de fevereiro. Teatro João Caetano, entre 25 e 27 de março.

Ópera

A voz marcante a acompanhar a batida forte do salto da bailarina no chão é de Irene Atienza. (Divulgação)

Árias no escurinho

A primeira edição data de 2009. Só agora o festival Ópera na Tela conseguiu viabilizar novo round, com 13 títulos do repertório lírico filmados de produções recentes, de casas de ópera do mundo inteiro. Com os mesmos preços de cinema, em 14 capitais e outras seis cidades, as projeções são limpas, com agradável intervalo, e o som fica um ponto acima do satisfatório. Uma das obras jamais foi representada no Brasil: A Noiva do Czar, de Rimsky-Korsakov, pela Ópera Estatal de Berlim, regência de Daniel Barenboim, passada nos dias atuais, conforme quis Dmitri Tcherniakov, diretor cênico no Bolshoi.

A Flauta Mágica de Mozart também mereceu aggiornamento, em impecável versão do Festival Baden-Baden, com elenco superlativo. Adequadamente, a Aída verdiana é registro no Alla Scala de Milão, com batuta de Zubin Mehta e direção do veterano Peter Stein. (Alvaro Machado)

Ópera na tela. Em 20 cidades até 12 de julho

Teatro

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Inteligência trans

Os figurinos dos 13 atores deixam dúvida: estaríamos em meio a mais um novo bloco carnavalesco paulistano, com junção transgênero de peças do guarda-roupa diário, barbas com purpurina, beijos explícitos?

Mas o que eles dizem em palco são poemas de Glauco Mattoso, Roberto Piva e Horácio Costa, de uma geração de escritores que bebeu diretamente do erotismo pansexual, no jeito beatnik de viver. Ao converter Jack Kerouac, Allen Ginsberg e outros beats em certa pornopoesia, a turma local é bem compreendida pelos novíssimos.

Um piano acompanha coros para canções de Cazuza, Ney Matogrosso e outros, em clima de Dzi Croquetes originais. Na temporada anterior, na Casa das Rosas, a proposta cabaré funcionava melhor, mas o ideal do gênero é mesmo o bar, com mesas, bebidas e flertes. Falta melodia às vozes não treinadas, bem como dança de fato em vez da blocagem móvel, a inteligência transgressora desses poetas, porém, ainda cala fundo. (AM)

Cabaré Falocrático. Dagoberto Feliz. Galpão Folias Teatrais, São Paulo; Até 26 de março.