Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Bravo! / Festival de Ópera de Belém completa 15 anos com 'Turandot'

Cultura

Música

Festival de Ópera de Belém completa 15 anos com 'Turandot'

por Alvaro Machado — publicado 20/09/2016 09h28, última modificação 20/09/2016 11h18
Capital paraense recebe o XV Festival de Ópera do Theatro da Paz entre 21 e 27 de setembro
Divulgação
Eliane Coelho

A soprano Eliane Coelho em Turandot

Joia arquitetônica inaugurada em 1879 com dinheiro da cultura da borracha, o Theatro da Paz, de Belém do Pará, inspirado no Teatro Alla Scalla de Milão, realiza a 15ª edição de seu Festival de Ópera.

O evento iniciou-se em agosto com concertos sinfônicos e a cantata Los Pájaros Perdidos, concebida pelo paraense Eduardo Neves, com música de Astor Piazzolla e coreografia de Luís Arrieta.

No próximo dia 21 prossegue com uma complexa encenação da Turandot de Giacomo Puccini, estrelada pela soprano carioca Eliane Coelho e com direção cênica e luz do paulistano Caetano Vilela.

A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e o Coro Lírico da casa são regidos pelo paraense Miguel Campos Neto, também regente-titular da Chelsea Symphony, de Nova York.

XV Festival de Ópera do Theatro da Paz – Turandot. De 21 a 27 set., em Belém do Pará. Confira a programação completa 

Vilela, colaborador habitual dos teatros municipais de São Paulo e Rio de Janeiro, faz sua quinta temporada na casa, após dirigir ali obras de Rossini, Strauss e Wagner. Em 2014, também no Theatro da Paz, respondeu pela estreia nacional da ópera Mefistófeles, de Arrigo Boito. Para a Turandot comemorativa de quinze anos do evento, concebeu encenação fiel ao original, com o fausto característico de mandarins, carrascos e bispos do Império Chinês.

“É importante mostrar a hierarquia da corte, para que o público entenda todas as nuances de poder carregadas pela princesa fria e impiedosa, e vencida, afinal, pelo amor de um homem”, explica.

O evento belenense é patrocinado quase integralmente pela Secretaria de Estado da Cultura do Pará. Com a atual crise do setor cultural, tem realizado nos últimos dois anos versões concentradas.

Além da ópera, foram programadas, porém, a cantata cênica inédita e palestras educativas, além do tradicional concerto de encerramento, em 1 de outubro.

A direção artística do festival é assinada pelo tenor Mauro Wrona e por Gilberto Chaves, este na função entre 2001 e 2006, bem como a partir de 2011. Sobre o atual “enxugamento” da programação – passando de três títulos para uma única ópera neste 2016 –, Chaves sublinha não ser fenômeno local, verificando-se o mesmo hoje nas programações eruditas de São Paulo e do Rio de Janeiro, com exemplos como o cancelamento de todo o final da temporada da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), com a consequente frustração de 12 concertos, conforme anunciado no último dia 11 pelo presidente da Fundação OSB, Eleazar de Carvalho Filho.

O maestro Miguel Campos Neto
O maestro paraense Miguel Campos Neto é também regente-titular da Chelsea Symphony, de Nova York

“Porém, continuamos a inserir, com enorme esforço, o Festival do Theatro da Paz no calendário cultural do Estado e até mesmo do País, fazendo com que Belém continue na rota das grandes óperas”, lembra Chaves. “Houve inclusive, nestes quinze anos, o aparecimento de muitos valores líricos, alguns dos quais já voam alto, como é o caso do de Atala Ayan”.

Em outubro, o tenor paraense interpreta, em sua agenda internacional, o papel de Fausto na ópera homônima de Charles Gounod, no âmbito da prestigiosa Ópera Estatal de Stuttgart, Alemanha.

O evento conta, ainda, com a participação de uma segunda orquestra, a Jovem Vale Música, mantida pela mineradora Vale e importante para a formação de quadros da orquestra principal, do Theatro da Paz.

“A ideia do Festival, iniciado em 2002 após uma reforma que devolveu ao Theatro da Paz suas características originais, era resgatar, para os paraenses e para os visitantes, a função original desta casa que proporcionou tantos momentos históricos, como em 1895, quando o local recebeu a ópera O Guarani regida por seu próprio criador, o maestro Carlos Gomes”, complementa Chaves.